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Oriz Partners planeja segundo fundo offshore imobiliário de US$ 150 milhões nos Estados Unidos

Jiane Carvalho

Carlos Kawall, sócio-fundador da Oriz Partners
Carlos Kawall, sócio-fundador da Oriz Partners

A Oriz Partners, gestora e boutique de negócios com foco na alta renda, tem planos de expandir a parceria firmada no ano passado com a Invisto, empresa de João Vianna, cofundador da Loft. O primeiro fundo imobiliário fruto da parceria já investiu US$ 60 milhões no mercado americano. O fundo, comenta o sócio e fundador da Oriz Partners, Carlos Kawall, é mais uma alternativa para o brasileiro incrementar sua alocação no exterior, ainda muito baixa. O segundo fundo imobiliário em parceria com a Invisto, cujas cotas serão distribuídas entre os clientes da Oriz, deve chegar ao mercado no começo de 2025 e movimentar US$ 150 milhões. 

“Temos buscado na Oriz focar em ativos alternativos, um mercado muito maior nos Estados Unidos do que no Brasil e em estruturar outras verticais para oferecer aos clientes. As oportunidades no mercado imobiliário americano são muito grandes”, comenta Kawall, acrescentando que o primeiro fundo acumula retorno anual entre 15% e 20% em dólar. A estratégia do fundo é comprar imóveis em Orlando para demolir e construir casas de alto padrão. A ideia do fundo 2 é ampliar a área de atuação para mais duas cidades, entre elas Tampa, a segunda maior da Florida. 


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“Vamos aproveitar o momento atual de migração de empresas, bancos e hedge funds de regiões como a Costa Leste, Nova York, e Chicago para a Florida em busca de custos menores, o que deve elevar a demanda e os preços dos ativos imobiliários”, comenta Felipe Monteiro, sócio da gestora e no comando da Oriz US, braço offshore da casa criado em 2023 com sede em Miami.

Os planos de lançar um segundo fundo offshore voltado ao setor imobiliário americano não é um movimento isolado da Oriz Partners. A gestora tem feito um trabalho para promover a cultura em seus clientes de alocar parte do patrimônio no exterior. “Mesmo no público que atendemos, de alta renda, é muito baixo, não chega a 10% o percentual dos recursos investidos em outros mercados. Quando perguntamos se preferem IPCA mais 6% ou dólar mais 8%, escolhem a indexação pelo índice de preço local”, comenta Monteiro. “Faz mais sentido buscar a proteção do dólar porque nesta camada de clientes a cesta consumida é de produtos e serviços relacionados à moeda americana e não ao IPCA. Ao final, se quer preservar o poder de compra é melhor ativos em dólar.” 

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Felipe Monteiro, sócio Offshore da Oriz Partners
Felipe Monteiro, sócio Offshore da Oriz Partners

Na busca por argumentos para mostrar aos clientes a importância de reduzir o “home bias” - viés do brasileiro de investir em ativos locais - a Oriz Partners realizou um levantamento retroativo, dos últimos 14 anos, comparando o retorno de investimentos feitos no mercado doméstico com outros nos EUA, sempre em dólar. “O investidor tem o discurso de não querer abrir mão dos juros locais, do CDI, ou que a bolsa brasileira está barata, ouço isto há 25 anos, mas os dados não confirmam a tese”, comenta Monteiro, da Oriz USA. No levantamento feito pela gestora, entre 2010 e 2024, quem investiu no S&P ganhou 1.261%, contra um Ibovespa de 87%, em dólar, no mesmo período. O CDI, na mesma base de comparação, rendeu 260%, enquanto apostas no crédito high yield americano acumulou 495% de ganho. “O efeito cambial é um efeito muito poderoso na composição de retorno, dá uma proteção.”

O momento, na visão de Felipe Monteiro, é muito favorável à diversificação internacional por fatores pontuais, como um diferencial de juros muito pequeno entre as taxas pagas pelas treasuries americanas e papéis no Brasil, e outros estruturais com um mercado acionário muito mais diversificado no exterior. “Nos Estados Unidos, há ações de tecnologia, de setores muito mais diversos do que na bolsa brasileira. Sem falar na força da economia americana.” 

O executivo lembra que houve poucas mudanças na composição do Ibovespa nos últimos 20, 30 anos, enquanto na bolsa americana hoje é muito diferente do que no passado, refletindo uma nova realidade econômica e os avanços tecnológicos. A recomendação da Oriz para os clientes é de uma alocação mínima de 30% no mercado americano, algo ainda distante. Independentemente do mercado, hoje os clientes da casa têm 20% embolsa, 70% na renda fixa e 10% em alternativos, como imóveis. 

Sobre a resistência do brasileiro, mesmo os alta renda, de alocar em outros mercados, Carlos Kawall, executivo com longa experiência no mercado e passagens por Citi, BM&FBovespa (atual B3) além de ter sido secretário do Tesouro Nacional, aponta raízes históricas. “Pessoas das gerações mais antigas, donas de um patrimônio familiar grande, ainda têm uma aversão a ter conta do exterior. Lembranças de um tempo em que era um estigma associado a dinheiro ilegal, uso de paraísos fiscais para sonegar. Esta não é mais uma realidade”, lembra Kawall. 

Na visão do economista, nem mesmo a taxação de fundos offshore é desculpa para não alocar no exterior. Antes, o imposto era diferido eternamente, desde que o recurso não retornasse ao país. Agora, há o ajuste de contas anual. “A mudança obriga o investidor a olhar para o que interessa que são oportunidades de investimento no exterior, melhores do que no Brasil, e não apenas para o planejamento tributário”, comenta Kawall. “Mesmo pagando imposto é mais vantajoso pela relação risco retorno, além de o cliente poder trazer o dinheiro de volta quando quiser, não está mais preso por conta do diferimento.”