Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

Empresas do Ibovespa devem reportar resultados mistos no 2T; big techs dão start nos EUA

Leandro Tavares

Após uma temporada mais positiva do que o esperado no primeiro trimestre do ano, em função de bons números da economia, assim como da maioria dos setores, a expectativa dos analistas é que os resultados das empresas brasileiras que compõem o Ibovespa sejam mistos no segundo trimestre. Nos Estados Unidos, a temporada de balanços das big techs inicia nesta semana, com destaque para Alphabet e Tesla.

Internamente, do primeiro trimestre para cá, houve uma deterioração da economia local, com o aumento do risco fiscal. Além disso, a taxa Selic ficou estagnada em 10,5%, o que é bom para alguns setores, como bancos, e ruim para outros, como o varejo.

Ainda que cada setor tenha sua particularidade, a tendência que é os resultados das companhias do Ibovespa venham positivos em sua maioria, refletindo a alta de algumas commodities, como o petróleo, que subiu 11% no primeiro semestre do ano, cotado acima de US$ 85 o barril.

Outro ponto que jogou a favor das empresas no período foi a desinflação na passagem de maio para junho, que passou de 0,46% para 0,21%, o que deve aliviar os custos das empresas, além da capacidade de repasse de preços de alguns setores, como mineração, impulsionando ainda mais o volume de vendas.

“Espero uma temporada mista, com alguns setores e empresas destacando-se positivamente devido a estratégias de mercado mais eficazes e condições macroeconômicas favoráveis, enquanto outros enfrentarão pressões significativas relacionadas à inflação, concorrência e mudanças sazonais”, afirma o analista da Ouro Preto Investimentos Sidney Lima.

Segundo ele, um ponto a destacar, é que o setor de varejo deve apresentar resultados dispares, com o segmento de alta renda apresentando melhora na lucratividade e crescimento nas receitas, enquanto o tradicional deve seguir reportando resultados difíceis, dado o impacto da taxa de juros elevada.

A divulgação de balanço por parte das 86 empresas que compõem o Ibovespa começou nesta segunda-feira (22) e vai até o dia 15 de agosto. Confira abaixo alguns setores.

Destaques positivos

As empresas de mineração e papel e celulose devem apresentar resultados positivos no trimestre, refletindo uma sazonalidade de volume mais forte, assim como de preços realizados e depreciação do real, segundo o Bank of America (BofA).


Atualize-se sobre as novas regras da CVM e do Banco Central e evite riscos legais e financeiros associados a ativos digitais no curso Cripto Law


No setor de telecom, o Itaú BBA espera que tanto a Vivo quanto a TIM reportem um crescimento de lucro de dois dígitos, impulsionados por uma combinação de rentabilidade operacional mais forte e um menor peso da dívida. “Aos níveis atuais, vemos ambas com histórias de investimentos convincentes, com pouco espaço para surpresas negativas”, diz Carlos Legarreta.

Para Rafael Barros e Raphael Elage, analistas da XP, o setor de saúde deve apresentar resultados mistos, com as empresas de plano de saúde precisando de mais um ciclo de aumento nos preços para dar algum alívio.

“Embora acreditemos que o setor esteja em meio a um processo de recuperação, esperamos que isso ocorra de forma heterogênea, com apenas algumas empresas apresentando melhorias significativas no segundo trimestre. Nesse sentido, esperamos que a Rede D’Or e a Hapvida sejam os destaques positivos durante essa temporada de resultados”, comentam os analistas.

A Petrobras, que mudou de CEO neste intervalo, assim como as ‘juniors oils’, devem se beneficiar da valorização do dólar e do petróleo no trimestre, devendo impactar positivamente o fluxo de caixa das empresas.

Do lado da estatal, o que deve chamar a atenção mais uma vez serão os dividendos, uma vez que a CEO da companhia, Magda Chambriard, não apresentou, pelo menos, por enquanto, nenhuma mudança na política de proventos.

Campanha Grafeno Institucional

PUBLICIDADE

Destaques negativos

Por outro lado, Caio Ribeiro, Leonardo Neratika, Guilherme Rosito e George Staphos, analistas do BofA, ressaltam que as siderúrgicas devem mostrar desafios no Brasil e preço de aço mais baixo na América do Norte. “As siderúrgicas menos expostas ao minério de ferro provavelmente terão dificuldades neste trimestre, já que a demanda no Brasil continua fraca, enquanto os preços caíram na América Norte durante o período, pressionando a Gerdau”.

Na visão do BTG Pactual, no setor de educação, tão castigado durante a pandemia, a expectativa é que o crescimento da receita e do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) deve continuar desacelerando, reverberando tickets médios estáveis tanto no ensino presencial como no online. Com isso, as margens de YDUQS e Cogna deverão permanecer estáveis.

“Neste contexto, ainda não estamos otimistas em relação ao setor da educação. Na verdade, somos ainda um pouco mais conservadores à margem, uma vez que a regulamentação adicional do ensino à distância pode representar riscos negativos”, contam Samuel Alves e Yan Cesquim, analistas do banco.

Já a Ambev, uma gigante da Bolsa, deve apresentar um segundo trimestre não tão empolgante. De acordo com Leonardo Alencar e Pedro Fonseca, analistas da XP, a empresa terá os dois lados da moeda, com resultados estáveis no Brasil e fraco no Canadá e América Latina, já que a Argentina ainda não chegou ao fundo do poço, apesar dos melhores números da inflação na região, refletindo o momentum fraco da indústria.

Outra gigante que deve decepcionar os analistas é a Vale que, apesar de um bom resultado operacional no trimestre, teve preços praticados no período abaixo da expectativa, o que deve impactar negativamente os números financeiros. Em termos de preço, a média realizada pela mineradora foi de US$ 98,2 por tonelada no período, sendo que na comparação com o trimestre imediatamente anterior ele foi de US$ 100,7 por tonelada.

“É mais um trimestre que nos decepcionamos com o preço realizado da companhia, diante de uma dinâmica de prêmio muito fraca, ficando em finos de minério de ferro negativo em US$3,2, o que levou o all-in também para o território negativo ao ponderar com pelotas, ficando negativo em US$ 0,1 por tonelada, diante de um mix com maior teor de sílica”, contam Rafael Chamadoira e Iago Souza, analistas da Genial Investimentos.

Big techs em ação

Nos EUA, o tão aguardado resultado das big techs, que veem segurando os principais índices de ações das Bolsas americanas este ano, inclusive, fazendo o S&P renovar máxima histórica, acima de 5.500 pontos, terá início nesta semana, com Alphabet e Tesla dando o start nos números, nesta terça-feira (23).

No caso da Alphabet, dona do Google, os analistas esperam um aumento da receita com a Inteligência Artificial (IA). “O uso de IA representa um risco competitivo de longo prazo, mas, no curto prazo, achamos que o aumento da receita com as melhorias de monetização impulsionadas pela IA será uma lição importante do 2T”, ressalta o BofA, em relatório.

De forma geral, os analistas Justin Post, Nitin Bansal e Huiyu esperam um crescimento da receita líquida da Alphabet de 14 % na comparação anual no trimestre, enquanto a uma perspectiva de alta de 9% do opex na mesma base de comparação. Já as margens operacionais devem apresentar uma melhora de 187 pontos-base, alcançando 37,2%.  

Para o restante das empresas, outras big techs, a Microsoft, vai divulgar os números no dia 30 de julho. Na avaliação de Brad Sills e Adam Bergère, analistas do BofA, a empresa de Bill Gates deve apresentar um bom segundo trimestre, impactada pelos serviços decorrentes do Azure, Office E3/E5 e Windows.

Na sequência, será a vez da Meta, dona do Facebook e do Instagram, que reportará os números no dia 31 de julho, enquanto a Apple e a Amazon divulgam os resultados do segundo trimestre nos dias 1° e 2 de agosto, respectivamente. Fechando o calendário de big techs, a Nvidia, gigante de chips, vai soltar os números apenas no dia 28 de agosto.