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Minoritários e controladores da Kora Saúde (KRSA3) travam queda de braço

Jiane Carvalho

Reprodução Kora Saúde
Reprodução Kora Saúde

Uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) marcada para a próxima quarta-feira (05) irá decidir sobre a proposta de retirada da Kora Saúde do segmento mais alto de governança da B3, o Novo Mercado. A proposta foi feita pelo controlador da Kora, o fundo de private equity HIG Capital. O modelo de votação e o teto proposto para pagar as ações em uma Oferta Pública de Aquisição de Ações (OPA) a ser realizada após a aprovação da saída do Novo Mercado desagradaram um grupo de minoritários.

Pelas regras, votam na AGE todos os acionistas que estão no bloco free float, que na Kora representa 20,3% do capital da empresa de saúde. O problema, na visão de gestores de fundos com recursos alocados na Kora, é que deste total, 10% estão nas mãos de dois médicos fundadores, Bruno Moulin Machado e Ivan Lima. Os fundos que se uniram e tentam a exclusão dos votantes são Leblon, Iridium, Polo Capital, Fourth Sail e Ace Capital que juntos têm perto de 4% do free float. Sob a condição de anonimato, um dos gestores afirmou que “os dois sócios têm um voto orientado pelo controlador, ou seja, na prática fazem parte do bloco de controle e não deveriam ser incluídos na contagem do free float”. Ele acrescenta que há, na B3, um pedido formal para a exclusão, com “provas de que ambos têm um compromisso de votar alinhado com os controladores”.


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Da votação da saída da Kora Saúde do Novo Mercado decorrem outras consequências que desagradam os minoritários. Conforme consta do documento ‘Proposta da Administração’, a ideia é pagar, na OPA, se houver, no máximo R$ 0,87 por ação para quem estiver insatisfeito e optar pela saída da companhia. “Define o preço máximo, mas não define o mínimo, o que não nos parece adequado. Nos resta aceitar o valor que quiserem pagar na OPA ou esperar e depois se decidirem sair da bolsa ter um prejuízo maior porque teremos que vender de qualquer forma. Os fundos de ações não podem ficar alocados em uma empresa de capital fechado”, explica o gestor.

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No documento disponibilizado na página de RI da Kora há também a informação de que os Fundos (Private Equity) “ja contrataram empresa especializada para elaboração do laudo de avaliação das ações da Companhia nos termos do §4º do art. 4º da Lei nº 6.404/76, o qual está em fase de conclusão e será apresentado à CVM no contexto do processo de registro da OPA, caso a saída do Novo Mercado seja aprovada”. Se na votação da AGE for aprovada a saída do nível mais alto de governança da B3, a HIG tem até 30 dias para apresentar à CVM pedido de OPA e a  conversão do registro de companhia aberta categoria “A” da Kora para categoria “B”.

Como justificativa para a proposta, o controlador HIG Capital que investe na companhia por meio do fundo Fuji Brasil Partners, lembra no documento as dificuldades do setor, agravadas na pandemia, e afirma que  “em momentos tais, é de extrema relevância que a Companhia não se veja restrita ou impedida, por qualquer razão, de explorar as mais variadas medidas para a equalização de sua estrutura de capital”. Na sequência, reconhece  “inegáveis aspectos positivos” de estar no Novo Mercado, mas pondera que isto “restringe algumas das alternativas disponíveis para o financiamento e a expansão das suas atividades, incluindo, por exemplo, a possibilidade de captação de recursos por meio da emissão o de ações preferenciais e a realização de operações de combinação de negócios com empresas nacionais e estrangeiras que atualmente não integram o Novo Mercado”.

Para a instalação da AGE, no dia 05, em primeira convocação, será necessária a presença de acionistas que representem, no mínimo, 2/3 das ações em circulação da Kora (free float), nos termos do artigo 44 do Regulamento do Novo Mercado. O free float da companhia hoje de 20,3% é praticamente o mínimo permitido para o segmento do Novo Mercado, de 20%. A reportagem tentou contato com o HIG e a Kora, mas sem sucesso. Já a B3, que avalia o pedido dos minoritários, informa apenas que “não comenta casos específicos. A decisão será enviada ao reclamante e à empresa envolvida”.