Ata do Copom mostra preocupação com exterior e ressalta processo lento de desinflação
A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando o colegiado reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, para 10,50% ao ano, mostra grande preocupação com o cenário externo, quando dá flexibilização da política monetária nos Estados Unidos, além da dificuldade do processo de desinflação no cenário interno.
Diante das incertezas elevadas, o Copom reforça a necessidade de maior cautela na condução da política monetária doméstica, já que o cenário esperado não se confirmou em função da desancoragem adicional das expectativas, da elevação das projeções de inflação, do cenário internacional mais adverso e da atividade econômica mais dinâmica do que esperado.
“A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento, expectativas de inflação desancoradas e um cenário global desafiador, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária”, diz trecho do documento.

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Na visão do Copom, a política monetária deve se manter contracionista até que se consolide não apenas o processo de desinflação, mas também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas. “O Comitê também reforça, com especial ênfase, que a extensão e a adequação de ajustes futuros na taxa de juros serão ditadas pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta”.
Em relação ao forward guidance, tão debatido pelo mercado nos dias seguintes à decisão, já que o Copom descolou das decisões anteriores, o colegiado que votou pela redução de 0,25 pp ressaltou que, muito mais importante do que o eventual custo reputacional de não seguir um guidance, mesmo que condicional, é o risco de perda de credibilidade sobre o compromisso com o combate à inflação e com a ancoragem das expectativas.
No cenário de referência, levando em consideração a taxa de juros, câmbio, preço do petróleo e a possibilidade de bandeira tarifária verde para este e o próximo ano, as projeções de inflação do Copom situam-se em 3,8% para 2024 e 3,3% para 2025. Para a inflação de preços administrados, a expectativa é 4,8% para 2024 e 4,0% para 2025.
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