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Golden share de André Esteves é ignorada em anúncio

Yuki Yokoi

Ilustração: Grau 180.com.
O BTG Pactual ingressou na BM&FBovespa com uma das estruturas societárias mais complexas do mercado brasileiro: um emaranhado de empresas, localizadas no Brasil e no exterior. Além disso, o BTG Pactual adotou uma golden share. Essa ação especial pertence exclusivamente a um fundo de André Esteves e a ele garante o poder de controlar o grupo, direta e indiretamente, com apenas 28% do capital total. Até agora, mesmo diante da operação de permuta de ações entre os sócios, o banco não fez nenhuma menção à golden share.

A discrição em relação à ação de ouro contrasta com o poder que ela embute. A ação classe C do BTG Pactual Participations (BPP) concentra 95,4% do poder de voto dessa empresa e, indiretamente, confere a Esteves o controle da BTG Investments e, por consequência, do BTG Pactual Holding — o detentor direto de cerca de 70% do capital social do Banco BTG Pactual.

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Na troca de controle anunciada pelo BTG, a intrincada teia de empresas foi deixada de lado. O comunicado oficial informou que a mudança de controlador ocorreu por meio da troca de ações do BTG Pactual Holding. Esteves, que era dono da maior parte das ordinárias, recebeu ações preferenciais sem voto, na proporção de 1 para 1. Os “top seven partners”, por sua vez, fizeram o caminho inverso: trocaram suas preferenciais por ordinárias, também na proporção de 1 para 1.

As explicações terminaram por aí. O BTG Pactual não informou a quantidade de ações envolvidas na negociação. Até o dia 3 de dezembro, o banco também não havia informado a posição atualizada dos acionistas relevantes da companhia. Nos comunicados ao mercado, nenhuma referência à golden share. Consultado pela reportagem, o banco não se manifestou.