Página difícil de virar (Saraiva)

Os problemas remontam a 2013. Naquele ano, a Saraiva iniciou uma reestruturação com o objetivo de integrar suas duas áreas de negócios (varejo e editora), reduzir custos e focar atividades mais rentáveis, como a de sistemas de ensino. Um projeto nada simples. Com faturamento na casa dos R$ 2,4 bilhões, a organização emprega 3.500 pessoas, possui plataforma própria de e-books e opera 116 lojas espalhadas pelo Brasil, além do comércio on-line. Na área editorial, produz conteúdo digital e livros para o setor de educação, em que o governo é um dos grandes clientes.
A tarefa tornou-se mais tortuosa após as saídas do presidente-executivo Michel Levy, em novembro, e do diretor financeiro, poucos meses antes. Ex-Microsoft, Levy fora contratado em outubro de 2013 com a missão de unificar os dois negócios e preparar a companhia para crescer no mercado virtual. Esse nicho responde por apenas um terço das vendas da Saraiva, que sofre a competição acirrada de gigantes como a Amazon, no Brasil desde 2013.


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As dores da reestruturação, combinadas ao menor fôlego do varejo e à perda de negócios com o setor público, forçaram a Saraiva a revisar projeções de desempenho. A estimativa para o Ebitda em 2014 caiu, no fim do ano, para algo entre R$ 110 milhões a R$ 130 milhões, um corte de 40% em relação à previsão de abril. Para Bruno Giardino, analista do Santander, os próximos meses — e talvez anos — trarão obstáculos. “Além de continuar a reforma interna, agora com foco no varejo, a companhia vai enfrentar concorrência acirrada na área editorial”, avalia. Ao que tudo indica, um enredo de emoções aguarda os acionistas da Saraiva.
A escolha das companhias para esta seção é feita a partir de um levantamento da Economática com a oscilação e o volume negociado mensalmente por ações que possuem giro mínimo de R$ 1 milhão por dia. A partir daí, são escolhidas aquelas que se destacam pelas variações positivas e negativas nos últimos seis meses.


