Assalto rocambolesco

Mayrink e família viviam em um palacete de quatro andares na Rua Duque de Saxe, nas imediações da Quinta da Boa Vista, que fora residência do imperador, já então deposto e exilado. No dia 14 de junho de 1891, o celebrado banqueiro ofereceu em sua casa uma grande recepção para comemorar os 15 anos de sua filha mais velha. Os convidados se retiraram por volta de três horas da madrugada, e a família se recolheu a seus quartos no último andar, separados dos pisos inferiores por um portão com grades e cadeados. Como era comum à época, no segundo e terceiro andares moravam serviçais e agregados familiares.

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Assaltantes, uma dúzia de homens, chegaram à residência de Mayrink perto de cinco horas da manhã. A quadrilha era organizada, e o assalto fora planejado de modo minucioso. Arrombaram as portas do térreo e, misteriosamente, doparam os que dormiam nos andares mais baixos. Carregavam um maçarico, com que tentaram arrombar o cofre existente no térreo, mas sem sucesso. Refestelaram-se com vinhos e sobras do magnífico jantar. Levaram em grandes sacos jóias e pertences dos anestesiados, condecorações, abotoaduras, relógios e, sobretudo, louças raras, baixelas e serviços de jantar de ouro e prata, além de tudo quanto puderam carregar de valioso. Fugiram todos em cavalos que os esperavam do lado de fora, não sem antes deixar um amável bilhete para os donos da casa, no qual agradeciam os restos do banquete e as bebidas que haviam consumido.
Como se vê, assaltos não constituem privilégio do nosso século XXI. Existiram desde sempre, inclusive nos encantadores anos 1890. A diferença talvez residisse na gentileza dos larápios que, sem apelar para violência, entorpeceram as vítimas e agradeceram o repasto e o butim conquistado.
