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Vencedoras do prêmio têm maior disciplina no uso de capital

Rafael Liza

Em 2012 tivemos um ano de desafios para a economia brasileira e para as nossas empresas. Em janeiro, o boletim Focus, do Banco Central, que mede as expectativas de agentes do mercado, estimava um crescimento do PIB de 3,3% e projetava uma inflação anual de 5,3%. O que de fato se realizou foi um cenário pior: a alta de preços foi superior ao previsto (5,84%) e a economia avançou mero 0,9%.

O mercado acionário brasileiro refletiu esse clima de incertezas e crescimento baixo. O Índice Bovespa subiu apenas 7,4% no ano e a quantidade de aberturas de capital na BM&FBovespa caiu 73% (apenas três IPOs em 2012, contra 11 no ano anterior).

Diante de um cenário macroeconômico adverso, gerar valor para os acionistas é uma tarefa ainda mais desafiadora. Para entender a dinâmica de geração de valor das empresas, calculamos o lucro econômico produzido por elas, por meio do Economic Value Added (EVA). O EVA é uma métrica financeira que permite avaliar o resultado econômico de uma companhia de maneira simples, porém robusta: para gerar valor é preciso obter um retorno acima do custo de capital utilizado. Em outras palavras, não é suficiente alcançar resultados contábeis sólidos e crescentes; também é necessária uma alocação eficiente do capital empregado.

Observando os números do prêmio As Melhores Companhias para os Acionistas de 2013, nota-se que as 150 empresas participantes mostraram uma piora na sua capacidade de geração de valor. O spread EVA (diferença entre o retorno obtido pelo negócio e o seu custo de capital) caiu 0,5 ponto percentual em 2012 (de -1,6% para -2,1%). Esse indicador reflete uma queda mediana de 1% no retorno sobre o capital investido (Roic, na sigla em inglês) e uma diminuição de 15% no giro do capital (medida de eficiência de uso dos ativos da companhia).

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Com relação ao montante de capital empregado nas empresas participantes da premiação, notamos um aumento de 21,8% acima da variação do resultado operacional (Nopat, na sigla em inglês). Isso significa que o crescimento do valor gerado nas operações das companhias foi inferior ao incremento de capital aplicado. Consequentemente, o custo implícito nessa aplicação extrapolou o retorno operacional. Esse acréscimo nos investimentos, aliado ao baixo retorno obtido, é a principal causa para a queda no EVA das empresas analisadas pelo prêmio no ano passado.

O bom uso do capital é justamente o aspecto que diferencia as premiadas das demais companhias. Para as vencedoras do ranking de 2012, nota-se melhor gestão de capital em relação aos seus pares e maior disciplina em seu uso. Enquanto as 150 participantes ampliaram o capital investido em 15%, em média, as vencedoras aumentaram em apenas 6,7%, o que reflete maior rigor e responsabilidade em seus investimentos.

Já a margem Nopat (Nopat/receita) manteve-se relativamente estável de 2011 para o ano seguinte e não apresenta diferença significativa entre o grupo das vencedoras e o das demais participantes. Isso sinaliza que, do ponto de vista operacional, não houve mudança significativa no resultado dessas companhias, em média. No entanto, a disciplina de capital e o bom uso dos recursos foram determinantes para a geração de valor.

Como resultado, em um ano de desafios, as empresas que pensaram e tomaram decisões com base no critério de geração de valor para o acionista se destacaram das demais. E o mercado respondeu à boa gestão dessas companhias com o aumento do valor de suas ações.