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Minoritários iniciam nova briga contra fechamento de capital

Yuki Yokoi

As ofertas públicas de aquisição de ações (OPAs) foram, durante anos, pleiteadas pelos acionistas minoritários. Elas são uma forma de indenizá-los por determinadas decisões da administração que possam mudar o curso das companhias. Assim se disseminaram, por exemplo, as OPAs em caso de alienação de controle (o tag along), que oferecem aos minoritários a chance de sair da companhia junto com o dono. Ao criar os níveis diferenciados, a BM&FBovespa também previu uma OPA, a valor econômico, para o caso de a companhia decidir se retirar do segmento.

Passado o tempo, os minoritários começaram a se frustrar com a diversidade de OPAs. Perceberam que elas podem ser um caminho para retirar ações de circulação e fazer um fechamento branco de capital sem cumprir uma obrigação fundamental prevista na OPA por cancelamento de registro: o direito do investidor descontente com o preço ofertado pedir um segundo laudo de avaliação. Essa impressão virou tema de discórdia entre acionistas controladores e minoritários da Net Serviços.

No último dia 27 de novembro, o colegiado da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou o registro da OPA proposta pela Net. A operação unirá duas ofertas: a decorrente da alienação de controle — em fevereiro, a Embratel Participações assumiu o comando indireto da companhia — e a prevista no regulamento da BM&FBovespa para saída da companhia do Nível 2 — depois da chegada do novo controlador, o free float da Net ficou reduzido a cerca de 3% do capital, ante os 25% exigidos pelo segmento. Contrariadas, as gestoras Nest e Pátria Investimentos (em nome de fundos originalmente geridos pela MainStay, incorporada no ano passado) protocolaram, no último dia 5 de dezembro, um recurso, endereçado ao colegiado da autarquia, questionando o negócio.

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Para entender a queixa dos investidores, é preciso relembrar o histórico da operação. Em abril, a Net aprovou uma OPA unificada que atendia a três finalidades. Além das ofertas por alienação de controle e saída de nível diferenciado, realizaria também uma oferta para cancelamento do seu registro de companhia aberta. Insatisfeitos com o preço, os minoritários solicitaram uma assembleia especial para pedir um novo laudo de avaliação. A companhia decidiu, então, retirar a oferta de fechamento de capital.

Os minoritários enfureceram-se. Com o intuito de resgatar o direito ao novo laudo, recorreram à área técnica da CVM com o seguinte argumento: quando adquirir ações da Net nas OPAs por alienação de controle e para saída do Nível 2, a Embratel terá comprado mais de um terço das ações em circulação, o que ensejará, alegam, uma terceira OPA, desta vez por aumento de participação, conforme previsto no artigo 26 da Instrução 361. Essa modalidade de oferta, a propósito, também reserva aos acionistas o direito a um segundo laudo. A superintendência de registros (SRE) da autarquia rechaçou a tese. Na sua visão, o que os minoritários chamam de novas aquisições são, na verdade, obrigações legais decorrentes de outros eventos — a troca de controlador e a saída do Nível 2. Não gerariam, portanto, a OPA pleiteada.

Os investidores enxergam no caso uma brecha regulatória temerária. O fato de a companhia ter anunciado inicialmente uma oferta de cancelamento de registro teria deixado claro o seu intuito. "Em 2010, a Embratel assumiu cerca de 97% do free float. Estamos diante de um fechamento de capital sem a OPA correspondente ", diz Lucas Borges, gestor da Nest. O caminho pouco ortodoxo, argumenta Borges, pode acabar sendo replicado. "Companhias listadas no Nível 2 e no Novo Mercado ficam expostas a essa manobra", afirma.