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Infraestrutura impulsiona mercado saudita

Bruna Maia Carrion

Não é só o Brasil que precisa da ajuda do mercado de capitais para financiar investimentos de infraestrutura. A Arábia Saudita se encontra na mesma situação. Até 2020, o governo tem a meta ambiciosa de investir US$ 500 bilhões no setor. Para alívio das autoridades sauditas, as companhias abertas têm ouvido o chamado. Um estudo da consultoria britânica Oxford Business Group (OBS) apontou que as empresas do setor de infraestrutura têm usado a emissão de títulos de dívida e de ações para captar recursos.

Uma delas foi a City Cement Company. A companhia fez uma oferta pública inicial de ações (IPO) em setembro de 2012. A emissão atraiu três vezes mais investimentos do que o planejado, levantando, ao fim, US$ 252 milhões. Outras empresas do setor de infraestrutura já estão na fila para estrear na bolsa de valores.

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Para que as companhias continuem abrindo o capital e os investimentos bilionários em infraestrutura se concretizem, contudo, o mercado da Arábia Saudita tem de se abrir. Apenas em 2012, a Capital Markets Authority (CMA), reguladora local, começou uma lenta reforma para permitir investimento estrangeiro direto na bolsa local, a Tadawul Stock Exchange. O país abriga a maior bolsa de valores do Oriente Médio, mas a aplicação em ações por investidores estrangeiros pode ser feita somente por meio de produtos financeiros (contratos de swap, por exemplo) oferecidos por bancos internacionais. Além da morosidade, os estrangeiros dispostos a investir no mercado árabe precisam levar em conta algumas peculiaridades: o país é uma monarquia islâmica e não tem uma constituição. O conjunto de normas é definido pela Sharia, código moral do Islã.

O aumento de investidores estrangeiros na Tadawul Stock Exchange representaria um alívio para o mercado acionário doméstico, predominantemente dominado por pessoas físicas. Essa característica o torna extremamente volátil. Além disso, o ingresso de aplicadores institucionais de fora poderia ajudar a reforçar as práticas de governança e transparência das empresas sauditas. Embora o país conte com importantes investidores institucionais organizados na forma de fundações, family offices e fundos governamentais, a participação desses agentes sofisticados na bolsa é historicamente modesta.