Tempo de germinar

Os investidores também já estão fazendo consultas ao Programa “TI Maior”. Lançado em agosto pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, ele prevê o investimento de cerca de R$ 500 milhões até 2015 em ações que fomentem o setor de tecnologia da informação. Uma delas é o “Start-up Brasil”, cuja meta é aportar R$ 40 milhões para acelerar 150 negócios nascentes de software e serviços de TI até 2014. “Essa decisão pode abrir uma boa perspectiva para o capital semente, mas ainda esperamos o detalhamento das medidas, que deve acontecer até o fim deste ano”, afirma Leonardo Palhares, sócio do Almeida Advogados e vice-presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico. Para ele, há dúvidas se os recursos serão investidos diretamente nas empresas nascentes ou se serão aplicados em um celeiro de start-ups.

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E não é só do governo federal que vem o estímulo ao capital semente. A Desenvolve SP, agência de fomento do governo paulista, assinou, também em agosto, em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), um protocolo de intenções para a elaboração de uma chamada pública voltada a gestores de capital semente. Denominado Fundo de Inovação Paulista, o veículo investirá em empresas nascentes inovadoras já instaladas, ou com previsão de instalação, no estado de São Paulo, preferencialmente dos segmentos de biotecnologia, novos materiais, nanotecnologia e TI. O fundo deverá ter um patrimônio mínimo de R$ 60 milhões. Ao menos 80% do capital será destinado a companhias com faturamento bruto anual de até R$ 3,6 milhões no ano anterior ao investimento.
O BNDES também está na reta final da licitação que irá definir os novos gestores do fundo Criatec II. A expectativa é de que o resultado da concorrência possa ser anunciado em novembro. O novo FIP, voltado ao investimento em empresas inovadoras com faturamento líquido anual de até R$ 10 milhões no ano anterior à aprovação do aporte pelo fundo, terá patrimônio de, no mínimo, R$ 170 milhões. Além do BNDES, cuja participação poderá alcançar até R$ 136 milhões (80%), o fundo terá como cotistas: o Banco do Nordeste do Brasil; o Banco de Desenvolvimento do Sul e o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. É possível que outros investidores institucionais ainda ingressem no quadro de cotistas após o lançamento do edital.
“Se tivéssemos estímulos fiscais como em outros países, poderíamos ter muito mais recursos, investidores e também inovação”, ressalta Robert Binder, da Antera Gestão de Recursos, que, ao lado do Instituto Inovação, foi a gestora do primeiro Criatec. Segundo ele, que também é coordenador do Comitê de Empreendedorismo da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCap), a entidade pretende entregar ao Ministério da Fazenda um documento mostrando incentivos tributários concedidos por diversos países para estimular a cadeia de private equity. Nos Estados Unidos, por exemplo, ao aplicarem recursos em uma empresa nascente, os investidores pessoas físicas ganham um crédito fiscal que pode ser abatido do Imposto de Renda (IR). Ele varia de 10% a 100% do valor total investido, dependendo do estado. (Roberto Rockmann)


