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Aposta no futuro

Rafael Liza

A estratégia de investimento em crescimento (growth investing) se baseia na seleção de ações com altas oportunidades de geração de valor no futuro. Alguns investidores a consideram como o oposto do value investing, apesar de as duas guardarem algumas semelhanças, como o foco de investimento no longo prazo.

No value investing, o acionista está à procura de uma ação muito barata, cujo preço de mercado não reflete totalmente o potencial de geração de valor da companhia. Já o growth investing segue tendência contrária: aceita incluir na carteira ações aparentemente caras (ou seja, com múltiplos fundamentalistas altos, como o preço/lucro) em busca de um retorno superior no futuro. Isso significa que esse tipo de investidor aceita o risco de pagar hoje pelo eventual retorno que esses papéis possam trazer.

No caso de a companhia não conseguir atingir o potencial de lucro prometido, o investidor que comprou suas ações tende a perder. Isso ocorre porque o aumento do valor de mercado da empresa está relacionado com a geração de fluxos de caixa. Se as expectativas ficarem abaixo do esperado, a companhia será penalizada pelo mercado e os papéis perderão valor. O acionista de crescimento ganha quando a empresa supera as expectativas dos analistas e entrega um resultado muito superior ao que se imaginava.

EMPRESAS DO FUTURO

É comum que o investidor em crescimento procure companhias com um perfil de menor porte, em setores que ainda não estão maduros e cujos diferenciais competitivos sejam inovadores ou sólidos para permitir um alto retorno. Enquadram-se nessa categoria empresas de tecnologia, internet, mídia, biotecnologia e energias alternativas. Elas formam mercados cujo potencial de crescimento ainda não foi totalmente explorado.

Algumas das companhias que se enquadram nesse perfil por ora não são geradoras de caixa e muitas vezes nunca distribuíram dividendos. Elas podem ser até mesmo start-ups, isto é, empresas em início de operação. Elas tendem a apresentar, naturalmente, maior risco, ao mesmo tempo em que podem gerar elevados retornos aos investidores.

COMO ESCOLHER AS AÇÕES DE CRESCIMENTO?

Para selecioná-las, preste atenção às questões abaixo:

1) O mercado: É aconselhável procurar ações de companhias que atuam em mercados pouco explorados, mas com altas taxas de crescimento potencial. Fatores demográficos (por exemplo, a expansão da geração entre 15 e 30 anos no Brasil) ou mudanças nas preferências dos consumidores (crescimento da internet, mobilidade, tecnologia da informação, dentre outros) podem sinalizar bons retornos de longo prazo. Observe com atenção as companhias que se beneficiam do volume desses mercados crescentes.

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2) Tecnologias proprietárias e barreiras de entrada: É importante que a companhia possua uma tecnologia proprietária ou alto valor de sua marca, o que pode torná-la líder no mercado num curto espaço de tempo. Esses diferenciais competitivos são ainda melhores se os negócios oferecem produtos e serviços inovadores e difíceis de serem replicados pela concorrência.

3) Boa gestão: Empresas em estágio inicial podem não ter perfeitamente estruturadas suas práticas internas de gestão. É importante refletir se os gestores serão capazes de entregar o retorno prometido e conduzir a companhia de forma rentável. Prefira as empresas com práticas de gestão e governança profissionalizadas.

4) Não pague demais: Ao contrário do value investing, que privilegia as companhias mais baratas na bolsa, a estratégia do growth investing aceita a compra de empresas cujos múltiplos de valor estão acima da média. Mas não vale pagar qualquer preço. Toda companhia negociada na bolsa apresenta algum percentual em seu valor que reflete a expectativa de crescimento futuro. Se o preço da ação já incorpora um potencial de crescimento excessivo ou até irreal, as chances de obter um retorno financeiro satisfatório ficam reduzidas.

PREÇO/LUCRO E O GROWTH INVESTING

Uma variante para esse tipo de estratégia é levar em consideração o múltiplo preço/lucro das empresas. A indicação para a compra de uma ação ocorre quando esse indicador apresenta alto potencial de crescimento, que tende a ser maior que a média do mercado. Isso ocorre porque o lucro ainda não é suficientemente expressivo para justificar o preço da ação. Ilustramos esse fato com a análise ao lado, que traz os múltiplos de P/L de empresas brasileiras em junho de 2012 para alguns setores selecionados.

Setores mais maduros tendem a apresentar um índice P/L baixo; setores com potencial de crescimento apresentam maior P/L, na maioria das vezes. Outros indicadores como o preço/valor patrimonial e o EV/Ebtida também tendem a seguir esse mesmo raciocínio.