Ensinando a crescer

A aquisição mais recente foi feita em fevereiro. Por R$ 6 milhões, a Abril Educação comprou 10% da Escola Satélite, o que facilitará à companhia oferecer cursos de idioma, de preparação de professores e para provas como o Enem às escolas brasileiras equipadas com uma antena capaz de receber as transmissões do satélite Star One. Segundo a Abril Educação, essa é uma característica comum de colégios públicos do País. Outros R$ 43 milhões foram destinados, em outubro de 2011, à aquisição do Sistema Maxi de Ensino, que se juntou aos outros três produtos similares do portfólio da companhia (Anglo, Ser e pH), atendendo a cerca de 460 mil estudantes. No mês da estreia na Bolsa, a companhia havia anunciado a compra de uma fatia do Livemocha, site norte–americano que ostenta o título de maior comunidade online de ensino da língua inglesa no mundo. Só no Brasil, são mais de 2,2 milhões de alunos.

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Compras de sistemas de ensino, de cursos online de idiomas e de empresas de transmissão via satélite mostram que a companhia tem se preparado para o futuro da educação, mais inclusivo e sem barreiras geográficas. Mas o tradicional mercado editorial, o berço do Grupo Abril, continua sendo estratégico para a empresa listada. "Embora com pouca perspectiva de crescimento, a geração de caixa garantida pelos livros didáticos pesou muito na decisão de entrar na companhia", afirma Frederico Castro, analista da gestora de recursos Perfin. As editoras Ática e Scipione garantiram à Abril Educação o recorde histórico de 50,4 milhões de livros didáticos vendidos ao Ministério da Educação (MEC), em 2012. Divulgado com as informações do terceiro trimestre de 2011, o contrato com o governo garante um faturamento de R$ 298 milhões. Àquela época, a projeção era de que 90% do valor seria recebido até o fim de 2011.

Explicar essas diferenças demandou tempo. "A comunicação com o mercado foi um pouco tímida no começo", lembra Castro. A empresa teve de aprender a divulgar suas qualidades. Manoel Amorim, presidente da Abril Educação, acredita que, apesar de a cotação das units ter se recuperado, há espaço para uma valorização ainda maior. Nem todo o mercado entendeu o modelo de negócio da companhia. Falta parâmetro para explicá–lo. Até porque não há no mundo empresa igual ao que a Abril Educação pretende ser nos próximos meses. A Abril Educação de hoje está em plena temporada de compras. O presidente calcula que mais R$ 200 milhões serão investidos em aquisições, o que colocará a companhia como consolidadora de cinco dos seis setores em que atua. A empresa está satisfeita com as suas duas editoras, mas possui alvos nos segmentos de sistemas de ensino, cursos preparatórios, ensino a distância, de idiomas e técnico. Situação que vem desde antes do IPO, em 2011, quando o fundo de private equity BR Educacional investiu R$ 230 milhões para levar 24,7% da empresa. "Foi fundamental a entrada desse sócio para que chegássemos bem ao IPO", pontua Amorim, presidente de uma companhia que, apesar de novata, tem muito a ensinar.


