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Analistas ativistas causam polêmica e viram alvo de investigação

Yuki Yokoi

O ativismo dos analistas da Empiricus virou alvo de investigação. Depois de uma dúzia de relatórios denunciando o que consideravam ser inconsistências nas demonstrações financeiras do frigorífico Marfrig, a casa de pesquisa foi denunciada à Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais (Apimec Nacional). A entidade, responsável pela autorregulação da atividade de analista de investimentos, abriu um procedimento de apuração de irregularidade para analisar se a Empiricus feriu o código de conduta da profissão. Se a resposta for positiva, a Apimec abrirá um processo interno e levará o caso a julgamento.

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A peleja teve início em novembro, quando a Empiricus lançou a primeira edição da "Carta aberta por uma Marfrig mais aberta". Dentre outros pontos, a casa de research questionava os ajustes feitos para adesão aos International Financial Standards Board (IFRS) e o montante da dívida financeira reportado pela companhia. Depois dessa, houve mais 11 cartas, todas abertas ao público (até o dia 21 de dezembro). O questionamento tornou–se ainda mais polêmico depois que Marcos Elias, economista–chefe e sócio da Empiricus, divulgou, em relatório, uma carta aberta dirigida a Marcos Molina, controlador, CEO e chairman da Marfrig. No fim de sua explanação, Elias afirma ter um preço para se calar. "Meu preço é: despeça o Ricardo Florence!", escreveu, referindo–se ao diretor de relações com investidores (RI) do frigorífico.

Segundo Rodolfo Almstaden, analista e sócio da Empiricus, as cartas foram continuadas porque a companhia não respondeu satisfatoriamente aos questionamentos. Consultada pela CAPITAL ABERTO, Lucy Souza, presidente da Apimec Nacional, não revelou qual seria a irregularidade cometida pela casa de pesquisa. Entre as previsões do código de conduta da associação está a exigência de que o analista atue com cuidado, diligência e prudência. No artigo 20, a Apimec proíbe o analista de disseminar informação falsa, repercutir rumores e exagerar sobre os fatos.

A Empiricus também protocolou, em dezembro, uma reclamação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Assim, suas denúncias serão oficialmente analisadas pelo regulador.