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Rússia volta atrás e tira limite de emissão de ações no exterior

Luciana Tanoue

As companhias russas — e seus bancos de investimento — respiraram aliviados. O governo russo voltou atrás e eliminou, no mês passado, uma regra promulgada em 2010 que impunha uma camisa de força sobre as ofertas de ações. A norma restringia a liberdade das companhias, impedido-as de emitir mais de 25% de ações no exterior. Com isso, o governo esperava manter o mercado acionário russo aquecido. Agora, esse limite vale apenas para empresas localizadas em setores estratégicos. As demais estão liberadas para ofertar até 100% de suas ações em bolsas estrangeiras.

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Na época em que a regra foi promulgada, os bancos de investimento alertaram o governo de que estava cometendo um erro. “Essa iniciativa limita, significativamente, a capacidade das empresas russas de acessar o mercado financeiro. É ruim para a economia do país”, declarou ao Financial Times Irackly Mtibelishvily, presidente do Citigroup na Rússia. “Quando o governo acordar, vai perceber que a regra só serviu para estimular as companhias russas a montarem holdings offshore.” Dito e feito. Uma matéria divulgada em julho pelo jornal local Kommersant mostrou que, das 13 empresas russas que cogitaram lançar ações na Bolsa de Londres ou Nova York este ano, nove listaram sua holding fora do país — dado que explica, em grande parte, por que o governo russo resolveu mudar de ideia. “Se você quer que os investidores comprem ações ordinárias e não depositary receipts, a melhor forma é ter um mercado transparente e aberto, que seja confiável”, falou ao jornal um banqueiro de uma instituição ocidental.