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Cetip se confirma como alvo de fusão após compra da ICE

Yuki Yokoi

A aquisição de 12,44% do capital social da Cetip pela Intercontinental Exchange (ICE), plataforma internacional de negociação de ativos, em julho, colocou a central de negociação, liquidação e custódia brasileira no centro das discussões acerca da onda de consolidação das bolsas mundiais. O investimento de US$ 512 milhões na companhia é o primeiro fato concreto de algo que o mercado já vinha sinalizando há tempos: a Cetip seria o caminho natural para a entrada de players internacionais que queiram competir com a BM&FBovespa no plano doméstico.

Ao se tornar a sua maior acionista, a ICE potencializa as oportunidades da Cetip. Uma delas é a sociedade com a Brix, bolsa brasileira de energias e futuros, criada pela ICE em parceria com os empresários Eike Batista, Josué Gomes da Silva (Coteminas), Roberto Teixeira da Costa e Marcelo Parodi (Compass Comercializadora de Energia). Para o analista do Bradesco, Carlos Firetti, faria sentido para a ICE fortalecer a Cetip como clearing, principalmente, de produtos agrícolas, um segmento em que ela atua em outros países.

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Na visão de Henrique Caldeira, analista da Barclays Capital, a Cetip continha um prêmio no valor de suas ações devido à promessa de ser alvo em fusões e aquisições. Para ele, a entrada da ICE é positiva e pode posicionar a Cetip nos mercados de derivativos de crédito e energia elétrica, ambos subdesenvolvidos no Brasil.

Se, por um lado, a entrada da ICE não promove uma concorrência direta com os segmentos atendidos pela BM&FBovespa, também não restringe futuros acordos com outros players internacionais que olham com interesse para o mercado brasileiro — como é o caso da Deutsche Börse. “A falta de um controle formal e a consolidação do setor em curso no mundo ainda mantêm a Cetip como um potencial alvo de fusões e aquisições”, observa Caldeira.