Só com consenso

O conselho de administração da Natura é composto de sete membros: três são os controladores e quatro são externos, destes, dois são independentes. Musa e José Guimarães Monforte entraram para o órgão pelas mãos dos principais acionistas, em 1998. Até então, apenas eles compunham o conselho, mas desejavam trazer para a empresa uma visão mais ampla do mercado. Musa tinha o perfil adequado às necessidades da Natura no momento, graças à sua experiência no segmento industrial —— dentre outras posições que ocupou, foi presidente da Rhodia. Já a opção por Monforte deveu-se a sua vivência com gestão de riscos e na área financeira — ele trabalhou em bancos como Merrill Lynch e Citibank.


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O conselho foi renovado em 2007, quando Luiz Ernesto Gemignani e Julio Moura Neto juntaram-se ao time, após passarem por um processo de seleção conduzido pela consultoria Egon Zehnder. Enquanto Gemignani se encaixava no perfil de executivo de grande grupo (é diretor-presidente da Promon S.A.), Neto tinha proximidade com a questão da sustentabilidade e vivência em mercados externos (foi CEO do GrupoNueva), o que casava com os planos da Natura de ampliar a presença no exterior. Embora tenha entrado como conselheiro independente, no momento ele é apenas externo, porque presta serviços buscando oportunidades de longo prazo para a Natura.
Na prática, os três principais acionistas do conselho são co-presidentes, mas, como a legislação requer que seja determinada a figura de um só presidente, Pedro Passos ocupa essa posição. O mandato dos conselheiros é de um ano, e os nomes são aprovados em assembleia-geral. O secretário do conselho é Moacir Salzstein, diretor de governança corporativa da Natura. O conselho já passou por três avaliações. A primeira foi feita pela consultoria Egon Zehnder em 2006, e as demais foram autoavaliações levadas a cabo em 2007 e 2009.
Os conselheiros externos recebem uma remuneração fixa e outra que varia de acordo com os resultados anuais. Um dos questionamentos sobre esse ponto — e que ganhou força com a recente crise — é um possível conflito de interesses entre os objetivos de curto prazo (expressos pelos resultados anuais) e os de longo prazo. “A Natura entende que os conselheiros têm de ter uma certa solidariedade com o faturamento da empresa. Seria incômodo se o conselho de administração ficasse preservado dos resultados”, afirma Salzstein. O tema é polêmico e ainda suscita discussões.
E como funciona, na prática, o conselho da Natura? Sua atuação é facilitada pelos estudos e dossiês elaborados por quatro comitês: estratégico, de pessoas, de auditoria, e de governança corporativa. Este último tem reuniões trimestrais, e os demais encontros ocorrem uma vez por mês. Musa considera que o trabalho do conselho evoluiu bastante com o envio antecipado dos dossiês — há tempo suficiente para analisar e estudar as questões que serão discutidas durante as reuniões. Mas admite que ainda há espaço para melhora, com mais disciplina e obediência aos horários estabelecidos: “Precisamos refrear a vontade de falar”.
Os conselheiros da Natura reúnem-se seis vezes por ano. Cada encontro dura dois dias, em média. Quatro reuniões são voltadas para a divulgação dos resultados trimestrais. Em setembro, há um encontro bastante valorizado, para discutir o plano estratégico. No último mês do ano é a vez de tratar de gestão de pessoas e de sucessão, além de efetuar a aprovação das contas. O diretor-presidente da Natura participa das reuniões, exceto quando será avaliado ou quando a pauta de discussões gira em torno da dinâmica do conselho ou de sua autoavaliação.
