Sem ninguém de fora

Controlada pela britânica BG desde 1999, a Comgás é administrada sob estrita orientação do acionista majoritário. A prática é uma exigência do controlador britânico que, com operações em quase uma centena de países, tende a controlar os conselhos de suas subsidiárias pelo mundo, a fim de não perder o comando em meio a sua pulverizada atuação global.
Segundo o secretário-geral do conselho da Comgás, o advogado Daniel Gomide, os conselheiros discutem eventualmente a adoção de 20% de membros independentes, como forma de atender às recomendações adicionais da Bovespa e enriquecer o debate em torno de decisões estratégicas para a distribuidora. “Essa é uma possibilidade e um tema que aparece no debate da assembleia eventualmente. Porém, não é prioridade na agenda dos acionistas.” Os controladores preferem a liberdade de administrar a companhia sem a presença de um independente no conselho.
Na opinião dos controladores da Comgás, ter um mesmo executivo nas presidências executiva e 

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Como a companhia fornece serviços essenciais e manipula um produto de risco, sua atuação é fortemente regulada pelo setor público e exposta a riscos ambientais e trabalhistas, como vazamento de gás, explosões e acidentes de trabalho. Assim, o conselho da Comgás assume responsabilidades específicas de avaliar a exposição a esses fatores e definir políticas para mitigá-los. “O conselho tem reuniões fixas bimestrais e, invariavelmente, os encontros começam pela análise dos dados de segurança e meio ambiente. Só depois é que discutimos as finanças, os investimentos e as oportunidades de mercado”, explica Gomide.
Dentre os esforços para diminuir os riscos aos quais a companhia está exposta está a cessão de uma vaga no conselho para um representante dos trabalhadores da Comgás. Atualmente, esse papel cabe a Sidney Batista, secretário-geral do principal sindicato do setor, o Sindgasista. Batista é também membro do grupo tripartite que reúne empresas, trabalhadores e governo na definição de normas de segurança no Ministério do Trabalho. Sua presença no conselho é uma forma de ouvir a opinião dos empregados e minimizar riscos trabalhistas.
Além disso, atuam de forma totalmente independente da administração da companhia um comitê de auditoria, de caráter consultivo, e um conselho fiscal. “Eles complementam o trabalho do conselho e asseguram dados independentes para a análise dos acionistas”, afirma Gomide. O minucioso acompanhamento de gastos visa a dar segurança aos controladores ingleses sobre o que acontece no Brasil. Em função de compromissos assumidos à época das privatizações, o grupo comprometeu-se a investir na expansão de gasodutos. Segundo a Gomgás, R$ 2 bilhões foram aplicados nessa infraestrutura desde que o BG assumiu a companhia, há dez anos, expandindo de 2 mil para 5 mil quilômetros a rede de gasodutos da companhia.
Outra forma de a Comgás manter os seus controles afinados é obedecendo às regras da lei norte-americana Sarbanes Oxley (SOX). A companhia adere às regras mesmo sem estar obrigada a isso, já que a BG não mantém papéis negociados na Bolsa de Nova York (Nyse) desde 2007. “A companhia preferiu manter as regras da SOX porque entendeu que isso gera benefícios para toda a administração do grupo e dá mais confiança aos investidores”, conclui Gomide.


