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Players veem grandes bancos e mercado de capitais se movimentarem para duplicatas escriturais

Amanda Meneses

Ana Cecília Peron, especialista em duplicatas na Monkey

O ecossistema de duplicatas escriturais está ganhando corpo na esteira do avanço do cronograma do Banco Central. Este mês, as casas iniciaram a fase de testes integrados, de interoperabilidade e, após o término, o mercado deve experimentar a fase de produção assistida, com adoção voluntária das empresas. 

A visão de executivos consultados pela Capital Aberto é que grandes bancos e fundos já estão se movimentando para fazer parte desse mercado. As duplicatas escriturais, no entanto, devem ganhar tração gradual. 

A lei que estabelece as duplicatas escriturais é de 2019, seguida da Resolução BCB nº 339/2023 (e posterior complemento da Resolução BCB nº 540/2025), mas havia a necessidade de preparação uma convenção, que ficou pronta no final de 2024.


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Desde então, as participantes vinham ajustando seus manuais técnicos para saber como funcionaria a interoperabilidade entre elas, com a exigência de um plano de teste que cada uma precisou submeter ao Banco Central para aprovação. 

Isso ocorreu em novembro de 2025, com as casas já se declarando prontas para iniciar o ciclo de testes homologados. Inicialmente, quatro instituições se declararam prontas para iniciar os testes, divididos em duas partes: uma de testes individuais de cada casa com os auditores, a conexão entre elas e seus clientes, e após a asseguração dessa auditoria externa, iniciariam os testes integrados. 

Roberta Fortunato, superintendente de duplicata escritural da B3, esclarece que esses testes integrados iniciaram com quatro casas, mas devido a algumas condições do plano de testes, como, por exemplo, dois dias sem sucesso na execução de algum teste específico ou, eventualmente, três retestes em relação a mesmas funcionalidades, uma das casas saiu dos testes.

“Isso dificultou um pouco a nossa dinâmica, porque tinha dois pares fazendo testes individuais e se tivesse um teste que todas as casas tinham que participar, ok, mas a maioria dessas duas casas faziam testes bilaterais. Quando essa casa acabou saindo, a gente teve que fazer testes com trio, revezando”, conta, dizendo que isso atrasou o processo. 

Roberta Fortunato, superintendente de duplicata escritural da B3

A casa que não cumpriu o requisito na questão da interoperabilidade, a SPC Grafeno, no entanto, conseguiu fazer adaptações e voltou para a segunda fase de testes, iniciada há pouco. 

Dentro do escopo dos testes, além da interoperabilidade, o BC exigiu testes de resiliência, de fraude e de performance, ponto que, segundo Roberta, dada a forma como está estruturada a duplicata escritural, com um sistema único de conexão entre todas as casas, a Plat, nunca antes utilizada, também dificultou os testes.

“Participamos do primeiro ciclo, fizemos a etapa de testes individuais, conseguimos êxito, e na etapa de testes integrados, tivemos um cenário que não foi possível ser completado da maneira que se exigia, porque havia um problema no plano, que não previa o tipo de teste em batch que a gente foi submetido”, conta Magno Lima, CEO SPC Grafeno 

A dificuldade ocorreu nos testes integrados, em que é testada a interoperabilidade das casas, basicamente, a comunicação com outras, onde foram percebidas oportunidades de melhorias. A SPC Grafeno foi até metade dos testes integrados, mas volta para o segundo ciclo, iniciado nesta terça-feira (12). 

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Para os executivos, houve situações não previstas inicialmente, e os testes demoraram mais que o esperado, inclusive, com quatro dilações de prazo para as casas que permaneceram. 

Já na visão da Núclea, “os testes foram executados a contento”, e o que falta agora é incluir os usuários reais dessa solução, sejam eles financiadores (bancos, fundos, factorings etc.) ou sacadores e sacados.

“Com a inclusão desses participantes, teremos uma visão mais próxima da operação real e dos ajustes adicionais necessários, caso existam”, afirma Rafael Pedrão Dal Mas, superintendente Executivo de Negócios da Núclea.

Ao longo do período de testes, as escrituradoras, em conjunto com a auditoria independente, validaram mais de 600 cenários operacionais, com foco na construção de uma infraestrutura sólida, estável e interoperável. Com isso, destaca a Monkey, as duplicatas escriturais já iniciam sua operação com mais maturidade operacional.

“O principal desafio agora é o desconhecimento do mercado em relação aos conceitos fundamentais das duplicatas escriturais, o que evidencia a importância de uma fase educacional mais estruturada e contínua, envolvendo credores, devedores, instituições financeiras e demais participantes do ecossistema”, destaca Ana Cecília Peron, especialista em duplicatas na Monkey.

A próxima fase das duplicatas escriturais

Agora, os players aguardam a aprovação do Banco Central para atuação como registradoras e escrituradoras. Após o sucesso nos testes, todas as registradoras devem solicitar autorização formal e, após essa concessão, o piloto assistido em ambiente de produção terá início, o que deve ocorrer até meados de julho de 2026.

Segundo os executivos, há um movimento grande das instituições financeiras participando e querendo entrar na produção assistida. Estas são classificadas como as “mais bem-preparadas” para este mercado. 

O Banco Central, inclusive, incluiu um item prevendo que o sacado esteja no processo e precisa estar ciente da emissão da duplicada escritural. 

Com isso, essas instituições financeiras estão selecionando alguns clientes pontualmente para fazer esse esse ciclo funcionar. Também há interesse e movimentação por parte dos fundos, que têm a obrigatoriedade pela CVM 175 de registrar ativos.

Hoje, a SPC Grafeno é a principal registradora no mercado de capitais, com 40% das duplicatas registradas na casa, muito em função da obrigatoriedade para FIDCs fazerem registro. Com essa proximidade do mercado, a SPC Grafeno já observa essa movimentação, bem como a de grandes indústrias.

Para esta próxima fase, faltam “detalhes finos” a serem ajustados entre o Banco Central e as signatárias, como definir o modelo de funcionamento e mais detalhes para os critérios de participação, ou, olhando o primeiro ciclo de obrigatoriedade de participação das empresas, se haverá limite na quantidade de sacados. 

Há também uma discussão sobre tombamento de contrato, visto as operações de empréstimos com garantia de duplicatas, registradas atualmente em cartório e que precisarão migrar para as registradoras. Nesta última rodada de teste, participam cinco casas. 

As perspectivas são otimistas para um mercado com potencial de R$ 10 trilhões. A tração do segmento, no entanto, deve ocorrer de maneira gradual, à medida que players e empresas absorvem as informações sobre seu funcionamento e o mercado ganha mais conhecimento sobre as operações. 

Além disso, por ora, uma vez que o boleto dinâmico ainda não acompanhará os testes, o setor que utiliza esse meio de pagamento não deve participar da fase assistida. 

“Vamos, aos poucos, entender como vai funcionar. Não acho que todo mundo está 100% pronto, falando de instituição financeira mesmo. Talvez a gente ganhe escala ao longo desses seis meses, mas num momento zero, vamos tombar os contratos pra não perder prioridade, mas não vamos fazer muitas operações na base”, opina Roberta, da B3.

Para o médio e longo prazo, o segmento é fortemente defendido pelos executivos e, com sua maturação, as duplicatas escriturais devem ganhar escala. 

Dessa maneira, os players têm investido formente em tecnologia desde o início do cronograma, apostando no sucesso da tese. A perspectiva é que novos horizontes se abram, especialmente em relação ao contato e atendimento às PMEs.