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ETFs têm potencial para igualar a base de investidores dos FIIs em poucos anos

Fabíola Gomes

Cauê Mançanares, CEO da Investo
Cauê Mançanares, CEO da Investo

A demanda por fundos de índice (ETFs) tem potencial para igualar o número de investidores pessoa física dos fundos de investimento imobiliários (FIIs).

Os investimentos nos ETFs mais que dobraram em 2025 na comparação com o ano anterior, somando R$ 93 bilhões. Este crescimento foi puxados principalmente pelos ETFs de renda fixa. Em março, o estoque destes ativos já superou a marca de R$ 110 milhões.

O número de pessoas físicas investindo em FIIs praticamente dobrou em cinco anos. No período, saltou de 1,6 milhão para 3,18 milhões de pessoas em 2025, de acordo com dados da B3.

Atualmente, o número de investidores brasileiros pessoa física em ETFs está perto de 800 mil. Deste total, um terço é de clientes da Investo, a maior gestora independente de ETFs em operação no Brasil.

O número de investidores em ETFs saltou de 20 mil pessoas físicas para 744 mil em dez anos, disse Cauê Mançanares, CEO da Investo. A gestora realizou encontro com jornalistas para falar sobre o desenvolvimento deste segmento no Brasil.

“Este número de quase 800 mil pessoas mostra que é só o começo, que chegamos a um ponto de inflexão”, disse o CEO. “Eu não me surpreenderia se os ETFs atingissem a mesma marca dos FIIs em dois ou três anos”, acrescentou.

Segmento tem impulso da renda fixa

Os ETFs de renda fixa são o grande impulsionador deste movimento, acompanhando a preferência dos investidores brasileiros por ativos de renda fixa, observou o CEO.

Em comparação com CDBs, debêntures ou fundos de investimentos, os ETFs têm muitas vantagens. Eles têm menor alíquota de imposto, não têm a cobrança do IOF e não tem come-cota, resultando em maior eficiência tributária, observou Mançanares.

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Além disso, o ticket de entrada nos ETFs é menor se comparado a outros ativos, explicou o CEO. É possível adquirir cotas a partir de R$ 100,00 dependendo do produto, por exemplo, ele acrescentou.

Do ponto de vista das empresas, os ETFs podem ser usados como instrumentos de gestão de caixa de curto prazo, a partir de ativos de baixo risco e com liquidez diária. Além disso, além da eficiência tributária já mencionada, eles são aceitos pela B3 como margem de garantia para operações com derivativos.

Esforços para disseminar informações

A B3 anunciou hoje que vai aceitar os depósitos de fundos imobiliários (FIIs) como garantia em operações, de uma lista prévia de 28 FIIs. A medida entra em vigor a partir de 11 de maio.

Mesmo assim, os ETFs são uma alternativa interessante para as margens, por serem menos voláteis, disse o CEO. Ele destacou os LFTS11 e o LFTB11 focados na taxa Selic. Além disso, têm haircut (deságio) inferior a 2%, ou seja o valor de mercado do ativo para garantir margem de segurança contra oscilações de preço.

No caso dos FIIs, a volatilidade é maior, e como o anúncio foi feito hoje, ainda não se sabe como ficará este haircut, acrescentou Mançanares.

Alessandra Gontijo, sócia e diretora comercial da Investo
Alessandra Gontijo, sócia e diretora comercial da Investo

A Investo vem atuando para disseminar as vantagens deste instrumento frente a outros tipos de ativos, disse Alessandra Gontijo, sócia e diretora comercial da Investo. A iniciativa visa mostrar que os ETFs podem atuar como produtos complementares nas cestas de ativos dos investidores, acrescentou.

Desde 2022, a gestora vem realizando roadshows por todo o país para esclarecer dúvidas sobre as ETFs, contou Alessandra. Em uma frente, a Investo promove ações junto a intermediários do mercado. Em outra frente, faz ações nas redes sociais com um foco em educação financeira, explicou.

A Investo também está trabalhando em parcerias com outras gestoras. Na lista estão a V8, a Rio Bravo, a Constância e no caso do Grupo Primo, a estratégia é focada na educação financeira.