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Regulação abre caminho para nova era das bolsas brasileiras

Amanda Meneses

As entidades administradoras de mercados organizados, também chamadas de bolsas brasileiras, estão se preparando para uma nova fase. Com o avanço das regulamentações e uma janela de emissões, ao menos para a renda fixa, instituições guardam metas ambiciosas de novos produtos. 

Atualmente, são oito entidades com registro para operar pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Há também no pipeline a previsão de outras duas instituições, que ainda estão em fase de teste, A5X e Base, a última sendo investida do grande fundo Mubadala.

A CERC, por exemplo, que nasceu especializada em crédito com recebíveis, está pronta para receber registro e depósito de todos os tipos de títulos bancários (CDB, LF, LCA, etc) e valores mobiliários de renda fixa (debêntures, notas comerciais, CRI, CRA, etc). 

Para 2026, a casa está trabalhando com estruturadores e securitizadoras para ampliar a gama de serviços além de registro e depósito, mas não abriu detalhes.

Sobre a competição, a avaliação é que “a especialização em crédito com recebíveis nos torna únicos. Os tipos de serviços que já temos hoje (avaliação de lastros por algoritmo, por exemplo) fazem com que, no mercado de securitização, não compitamos com nenhum dos atores atuais”, diz Marcelo Maziero, sócio-fundador da CERC.


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Na visão do executivo, embora a B3 seja o maior ator, ela está mais focada em papéis padronizados como debêntures sem garantia e oferece somente serviços para cumprimento regulatório (depósito e registro), consequentemente, não é um competidor direto. 

“As demais são pequenas ainda, e replicam o serviço da B3. Obviamente, não acreditamos que a competição ficará parada, mas, mesmo sendo a mais nova do grupo, e com uma oferta tão diferenciada, temos uma vantagem que rapidamente será refletida nos nossos números ao longo dos próximos 2 anos”, acredita.

Na BEE4, a visão é similar. Para Rodrigo Fiszman, sócio cofundador e presidente do Conselho, por mais que, tecnicamente, outras estruturas possam ser chamadas de “concorrentes”, de forma geral, cada uma delas tem um foco e um nicho específico. 

Para ele, é menos sobre concorrência entre as novas infraestruturas e mais sobre concorrência das novas infraestruturas para com a B3. “As outras infras estão batendo muito no produto tradicional. Quando falamos de PME, do Fácil, era um nicho que a B3 nunca focou”, diz, citando que a entrada da B3 no segmento era esperada.

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Já a CSD BR, que oferece uma infraestrutura completa com atuação em registro, depósito, liquidação de ativos financeiros e valores mobiliários, apenas avalia a competição como um vetor positivo para o desenvolvimento do mercado financeiro brasileiro, trazendo inovação, taxas melhores e um ambiente mais diverso.

Devido à diferença de foco, o quadro de clientes também é diversificado e de perfis diferentes para as instituições. 

Enquanto a BEE4 acaba, de forma geral, atendendo especialmente companhias com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 500 milhões, tanto públicas quanto privadas, a CERC cobre desde grandes bancos e adquirentes até fintechs, securitizadoras, FIDCs e plataformas de crédito. Já a CSD BR possui 88 instituições participantes, dentre elas bancos, corretoras, securitizadoras, distribuidoras e seguradoras.

A BEE4, inclusive, que começou a operar pelo regime Fácil, de acesso a pequenas e médias empresas (PMEs), há cerca de um mês, possui licença para operar ações, debêntures e notas comerciais, mas pretende expandir o portfólio. 

“Nossa visão sempre foi explorar na totalidade o que o balcão consegue trabalhar em termos de produto, de forma muito ampla, além do que a gente já faz, outros títulos de dívida como CRI, CRA, derivativos de balcão, fundos, etc”, diz, acrescentando que, no atual cenário, a renda fixa se sobressai, portanto, novos produtos dependem da demanda. 

A expectativa da BEE4 é lançar, no segundo semestre, novos instrumentos de dívida, no caso, os securitizados como CRI, CRA e CRs, de forma ampla.

“Acreditamos bastante na possibilidade de inovar esse mercado, porque temos esse papel de usar bastante inovação e as novas normas que estão saindo. Fomos muito ativos no Fácil, na consulta pública da CVM 88, e isso conecta com securitizados”, conta Fiszmann. 

Na CSD BR os planos são diferentes. A casa já opera títulos como CDB, RDB, LCI, LAM, LH, operações compromissadas, além de derivativos como NDF, SWAP, TRS, opções e CDS. Além de atuar no registro e depósito de cotas de fundos, operações de crédito (CCI, CCB e CPR) e crédito privado (NC, CRI, CRA, Debêntures). 

Daniel Miranda, CFO da CSD BR

A CSD conta ainda com permissão para depósito de ações e registro de DCE e contrato de netting. Agora, “os próximos produtos a serem lançados serão COE, LCA, DI e outros conforme acontecerem as aprovações regulatórias”, conta Daniel Miranda, CFO da CSD BR. 

Nas metas deste ano, para a CSD, estão a interoperabilidade entre Depositárias Centrais; expandir o roadmap de produtos e evoluir a plataforma. Já a BEE4 não abre objetivos de curto prazo, mas quer, num plano estratégico de 5 anos, impactar pelo menos 10 mil PMEs. Já a CERC planeja inaugurar esse novo mercado de crédito securitizado.