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Mercado cripto está mais bem-posicionado para volatilidade

Amanda Meneses

Valter Rebelo, especialista de criptoativos na Empiricus Research

O mercado tem sofrido com uma onda de volatilidade. Em meio a juros altos e ambiente desafiador, somou-se a guerra entre Estados Unidos e Irã, que abalou desde ativos tradicionais até as criptomoedas.

O segmento de criptomoedas, no entanto, está mais bem-posicionado para uma trajetória de alta este ano, mesmo diante desse cenário. A avaliação de especialistas é que o movimento pró-cripto dará mais força ao mercado, favorecendo um viés positivo para os ativos digitais. 

Desde o início do conflito dos EUA com o Irã, que iniciou em 28 de fevereiro de 2026, o Bitcoin e o Ethereum apresentaram retornos de 1% e 6%, respectivamente, do dia 0 ao dia 32 (atingindo picos de 14% e 22%). Com isso, eles superaram o S&P 500 (-8%), as "Sete Magníficas" Mag 7 (-10%), o cobre (-8%), o ouro (-13%) e a prata (-22%). 

Segundo a avaliação da Binance Research, esse desempenho sugere um desacoplamento parcial das criptomoedas em relação aos mercados tradicionais, especialmente em momentos de estresse macroeconômico.


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A análise de Valter Rebelo, especialista de criptoativos na Empiricus Research, é similar. Ele destaca que a correlação do Bitcoin com ativos tradicionais, mais das empresas de software do que do mercado como um todo, ocorreu apenas no início do conflito.

“Essa correlação Bitcoin e software, essas empresas que tiveram um grande sell-off desde outubro, como Microsoft, Adobe, Salesforce, no curtíssimo prazo, recentemente, tem sido quebrada. O Bitcoin tem performado melhor do que essas ações”, aponta.

Para Rony Szuster, Head de Research do MB | Mercado Bitcoin, o comportamento do Bitcoin durante a instabilidade gerada pela guerra entre EUA e Irã foi marcado por uma dinâmica interessante, que reforça tanto sua integração ao sistema financeiro global quanto a evolução da sua estrutura de mercado.

Inicialmente, houve um aumento da aversão a risco global, e as criptomoedas acompanharam parcialmente esse movimento, mas, diferentemente de outros ciclos, a queda foi relativamente mais contida do que episódios clássicos de estresse, em que o mercado cripto costuma registrar correções mais acentuadas.

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Segundo Szuster, isso é explicado, em boa parte, pelo posicionamento prévio do mercado. O Bitcoin e os principais criptoativos já vinham de um período prolongado de correção desde o fim do ano anterior, o que reduziu o espaço para novas quedas mais agressivas. 

“Além disso, houve uma atuação relevante dos investidores de longo prazo, que vinham acumulando posições de forma consistente, criando uma espécie de ‘colchão’ de liquidez que ajudou a sustentar os preços mesmo diante do cenário adverso”, diz.

Agora, todo o mercado tem experimentado algum alívio devido à trégua momentânea entre EUA e Irã após uma primeira rodada de negociações. O cenário, no entanto, é incerto, e o alívio, por si só, não é um vetor isolado do viés de alta das criptomoedas. 

Atualmente, o Bitcoin está no patamar de US$ 74.651, equivalente a R$ 373.473. Para o especialista da Empiricus, caso a criptomoeda fique acima de US$ 75 mil, ela ganha tendência, movimento cujos primeiros sinais são observáveis agora. 

Segundo os especialistas, é uma melhora mais técnica, que envolve os fundamentos desse mercado, mas há um reforço marginal do lado macroeconômico.

Na visão da Binance Research, as perspectivas para abril permanecem condicionadas à evolução das tensões geopolíticas, à normalização do comércio global e às condições gerais de liquidez nos mercados financeiros.

“A tendência permanece inconclusiva em meio à incerteza macroeconômica e a uma crise de liquidez mais ampla”, diz a casa. 

Na visão do especialista do MB, esse movimento positivo é resultado de uma combinação de fatores. Por um lado, existe um efeito indireto da trégua parcial e do contexto geopolítico, visto que conflitos prolongados aumentam a incerteza global e pressionam variáveis macroeconômicas como inflação, preços de commodities e política de juros.

Por outro, há um movimento estrutural muito mais relevante no mercado cripto. O Bitcoin já vinha em uma dinâmica de fortalecimento, devido a questões como avanços regulatórios, entrada contínua de capital institucional via ETFs e compras relevantes por empresas.

“O mercado cripto, hoje, está muito mais preparado para atravessar momentos de estresse do que em ciclos anteriores, e isso muda bastante a leitura para o ano. O conflito, olhando em retrospecto, acabou funcionando mais como um teste de resiliência”, opina Szuster.

A visão é de que, mesmo com a turbulência, há um movimento estrutural. A institucionalização deixou de ser uma narrativa e passou a ser fluxo real, e esse perfil de capital, de empresas e investidores de longo prazo, é menos sensível a ruídos de curto prazo.

A tendência é que esse movimento se sobreponha à volatilidade. “Com ou sem conflito, o mercado parece mais bem posicionado para uma trajetória positiva até o fim do ano, justamente porque a base de investidores mudou”, acredita Szuster.