Operadores de títulos voltam a apostar em cortes pelo Fed

Os treasuries, títulos de dívidas emitidos pelo governo dos Estados Unidos, avançaram após o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmar que as tarifas abrangentes impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, provocaram apenas um aumento pontual de preços e que o banco central tem pouca capacidade de controlar choques de oferta, como a alta do petróleo impulsionada pela guerra.
Os movimentos no mercado de dívida pública dos EUA, de cerca de US$ 31 trilhões, se intensificaram durante o discurso de Powell, ampliando ganhos já sustentados por preocupações de que o conflito no Oriente Médio possa prejudicar o crescimento global. Isso reacendeu a demanda por títulos soberanos, atraindo investidores como Pimco, JPMorgan e Columbia Threadneedle.
Durante sua fala a estudantes da Harvard University nesta segunda-feira (30), os rendimentos dos Treasuries de dois a dez anos ampliaram as quedas diárias para pelo menos 10 pontos-base. Ao mesmo tempo, investidores reduziram apostas em uma alta de juros neste ano e voltaram a precificar a possibilidade de cortes até o fim de 2026.
“Após os comentários de Powell, voltamos a um cenário em que um ou mais cortes parecem ligeiramente mais prováveis do que uma alta neste ano”, escreveu Krishna Guha, chefe de estratégia de bancos centrais da Evercore ISI. “Esse reposicionamento ainda pode avançar, embora não estejamos tranquilos quanto às perspectivas de um acordo entre EUA e Irã.”

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A alta dos títulos ocorre após semanas de vendas impulsionadas pela disparada do petróleo e pelo temor de novos aumentos de juros. Agora, a mudança de foco para o risco de desaceleração econômica tem reduzido o receio de que bancos centrais precisem adotar uma postura mais agressiva para conter a inflação.
O rendimento dos Treasuries de dois anos — mais sensíveis à política monetária — caiu para 3,81%, após recuar sete pontos-base na sexta-feira. Já os papéis de dez anos recuaram pouco mais de nove pontos-base, para 4,33%. Os rendimentos de títulos de prazo semelhante no Reino Unido, Alemanha e Japão também caíram.
Alguns dos maiores gestores de renda fixa dos EUA, incluindo a Pimco, avaliam que o mercado está subestimando o risco de que a guerra com o Irã provoque uma desaceleração mais acentuada. O Goldman Sachs elevou a probabilidade de recessão nos próximos 12 meses para cerca de 30%.
“O mercado de Treasuries avançou nesta manhã porque os investidores passaram a focar nos riscos ao crescimento global associados aos eventos no Oriente Médio, e não apenas no impacto inflacionário do conflito”, disse Ian Lyngen, chefe de estratégia de juros dos EUA da BMO Capital Markets.
A guerra — agora em seu segundo mês — não dá sinais de arrefecimento, mesmo após os EUA ampliarem o prazo para que Teerã aceite reabrir o Estreito de Hormuz. Nesse cenário, o petróleo WTI caminha para alta superior a 50% no mês, sendo negociado acima de US$ 102 por barril na segunda-feira.
Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou que o governo está em “negociações sérias” com o regime iraniano, mas ameaçou novos ataques à infraestrutura de petróleo e eletricidade do país caso não haja acordo.
