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O que o mercado espera após Fed manter a taxa de juros nos EUA

Alexandre Inacio

Jerome Powell, presidente do Fed
Jerome Powell, presidente do Fed

Não foi dessa vez que Donald Trump encontrou motivos para comemorar uma decisão do Federal Reserve (Fed). O Banco Central americano decidiu manter a taxa básica de juros inalterada, porém, com uma expectativa de corte ao longo do ano.

A decisão era esperada. As incertezas em relação ao conflito no Oriente Médio pesaram na decisão, mas não foi só isso. A inflação nos Estados Unidos segue acima da meta e a economia segue crescendo a um ritmo considerado robusto por muitos analistas.

O presidente do Fed, Jerome Powell, foi muito claro sobre o futuro da taxa de juros americana. “Se não virmos esse progresso [redução da inflação], não veremos o corte de juros”, disse.

E ao que tudo indica esse progresso ficou mais difícil de alcançar. Nas previsões econômicas divulgadas juntamente com a decisão, as autoridades elevaram a projeção de inflação para 2026 de 2,4% para 2,7%.

Quase unânime

A decisão das autoridades do Fed foi quase unânime. O único dissidente foi Stephen Miran, que defendeu um corte de 0,25 ponto. Com isso, o Comitê Federal de Mercado Aberto votou por 11 a 1 para manter a taxa básica de juros dos fundos federais na faixa de 3,5% a 3,75%.

“Chama a atenção a não dissidência de [Christopher] Waller, que vinha sendo um grande defensor da continuidade dos cortes. O fato de ter havido apenas um dissidente implica uma postura levemente mais hawkish”, disse André Valério, economista sênior do Inter

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Os argumentos do Fed

Essa foi a segunda vez consecutiva que o Fed manteve inalterada a taxa de juros. Em janeiro, os sinais da economia americana indicavam para uma estabilização da taxa de desemprego. Porém, o relatório de emprego de fevereiro foi considerado fraco, o que lançou novas dúvidas sobre a estabilidade do mercado de trabalho.

Para ajudar, a decisão de Trump de atacar o Irã ao lado de Israel provocou uma disparada nos preços do petróleo no mercado internacional. E, diferente do Brasil, nos Estados Unidos, quando o combustível sobe o reflexo nas bombas é quase imediato.

Resultado: aumento do risco de inflação e consequências para a economia e para a geração de emprego.

Visão e reação do mercado

Diante da decisão do Fed, o mercado reagiu. Os investidores reduziram suas expectativas de cortes nas taxas de juros em 2026, embora ainda prevejam uma redução até o final do ano. Com isso, o reflexo foi a alta dos rendimentos de títulos do Tesouro americano.

A decisão foi uma reação à fala de Powell, que afirmou ser importante manter as taxas de juros moderadamente restritivas. O índice S&P 500 caiu 1,4%, atingindo o menor nível desde novembro. O Brent se manteve próximo a US$ 110 no final do pregão.


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