ETFs de renda fixa avançam na B3 e ampliam disputa por inflação e prefixados em 2026
A indústria de ETFs de renda fixa iniciou 2026 em ritmo acelerado, com uma sequência de lançamentos que amplia a oferta de instrumentos listados atrelados a títulos públicos e privados. Em fevereiro, a Itaú Asset Management e a XP Asset anunciaram sete novos produtos, reforçando um movimento que ocorre em ambiente de juros elevados e de crescimento estrutural da base de investidores.
Atualmente, a B3 conta com 44 ETFs de renda fixa listados, em um avanço que acontece de forma paralela à expansão mais ampla da indústria de ETFs no país. Segundo boletim mensal da B3 referente ao mês de janeiro, o número total de ETFs disponíveis para negociação chegou a 177 no primeiro mês de 2026, ante 175 em dezembro do ano passado. O estoque financeiro desses produtos alcançou R$ 98 bilhões em janeiro, enquanto o número de investidores com posição em custódia subiu para 774 mil.
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O crescimento da renda fixa listada ocorre em um momento em que a classe volta a ganhar protagonismo nas carteiras. Para Danilo Moreno, analista da Investo, o movimento tem natureza dupla. “Acreditamos que o movimento combina fatores conjunturais e estruturais. De um lado, o Brasil convive há bastante tempo com juros em patamares elevados e, no momento, não há perspectiva clara de que retornem ao nível de um dígito no curto prazo”, afirmou à Capital Aberto.
“Esse ambiente naturalmente reforça o protagonismo da renda fixa nas carteiras, tanto de investidores pessoa física quanto institucionais, estimulando a busca por instrumentos mais eficientes para capturar esse retorno”, acrescentou.
Segundo ele, há também uma transformação estrutural na forma de acesso a esses ativos. “Os ETFs de renda fixa oferecem vantagens claras frente a fundos tradicionais ou à compra direta de títulos, como ausência de come-cotas e IOF, reinvestimento automático de cupons, alíquota fixa de IR sobre ganho de capital e liquidez em D+1.”
Moreno acrescenta que, em um país que historicamente concentra grande parte do patrimônio financeiro em renda fixa, “é natural que a versão listada e mais eficiente dessa classe ganhe espaço”.

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Os lançamentos anunciados em fevereiro por Itaú e XP ilustram essa tendência. A Itaú Asset Management apresentou quatro novos ETFs de renda fixa, com início de negociação no dia 24. Três deles — TD3511, TD5011 e TD6011 — dão acesso a títulos do Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035, 2050 e 2060. O quarto, 5PRE11, investe em uma cesta de títulos prefixados com duration média de cerca de cinco anos.
Em comunicado, Renato Eid, superintendente de estratégias indexadas e investimento responsável da gestora, afirmou: “Nossos estudos identificaram que determinados produtos se beneficiam dos ciclos de queda de juros, exatamente o cenário base do que esperamos para 2026.” Ainda segundo ele, a casa buscou desenvolver oportunidades que potencializassem desempenho com assimetria positiva de retorno em momentos de diminuição da taxa Selic”. Eid destacou, ainda, as características tributárias dos ETFs.
A XP Asset, por sua vez, lançou três ETFs indexados à inflação: XB3011, XB4511 e XB6011, que replicam a rentabilidade das NTN-Bs com vencimento em 2030, 2045 e 2060, respectivamente. Com os novos produtos, a gestora passa a contar com cinco vértices de NTN-Bs disponíveis via ETFs.
Danilo Gabriel, sócio e gestor de fundos indexados e internacionais da XP Asset, afirmou que o lançamento dos ETFs busca “ampliar o acesso a estratégias de renda fixa no ambiente de bolsa” e “entregar mais ferramentas para diferentes objetivos de investimento". Leonardo Vasques, portfolio manager da gestora, acrescentou que os novos produtos aumentam o acesso a vértices longos de inflação em formato listado, permitindo que investidores utilizem esses ativos não apenas para proteção, mas também para estratégias mais sofisticadas de alocação e gestão de risco.
Na avaliação da Investo, ainda há espaço relevante para expansão do segmento. “O mercado brasileiro de renda fixa é amplo e sofisticado, mas a oferta de ETFs ainda é relativamente concentrada, especialmente em títulos públicos, o que se explica pela maior liquidez desses ativos”, afirmou Moreno. Ele acrescenta que, “à medida que a liquidez de instrumentos de crédito aumenta, abre-se espaço para estratégias mais específicas, como diferentes perfis de crédito bancário ou corporativo”.
Para 2026, o especialista espera um ano de diversificação da prateleira de renda fixa listada, tanto em termos de vencimentos quanto de exposição. “Estamos em contato constante com clientes para entender essas demandas e acreditamos que 2026 deve ser um ano bastante ativo em termos de novos produtos, inclusive em segmentos ainda pouco explorados no mercado local”, disse Moreno.
