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Copom inicia ciclo de cortes com cautela diante de incertezas externas

Victor Aguiar

Foto: Divulgação/Banco Central do Brasil
Foto: Divulgação/Banco Central do Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou, nesta quarta-feira (18), o ciclo de flexibilização com uma redução de 25 pontos-base na taxa Selic. Com isso, a taxa básica da economia chega ao patamar de 14,75%, refletindo a percepção de que a política monetária contracionista já produziu efeitos relevantes sobre a atividade econômica. 

Apesar do corte, o comunicado manteve um tom firme, destacando que a inflação segue acima da meta, as expectativas permanecem desancoradas e o ambiente externo se tornou mais incerto, especialmente diante das tensões no Oriente Médio.

Marcelo Fonseca, economista-chefe do grupo CVPAR, destacou a cautela do Banco Central diante do cenário global. "O comitê reconheceu que o conflito no Irã elevou incertezas sobre a trajetória futura da inflação, com seus impactos sobre a cadeia de suprimentos globais, preços das commodities e as condições financeiras, tornando o processo de convergência da inflação mais desafiador”, afirmou. 

Ainda segundo Fonseca, a própria projeção do Copom para o horizonte relevante — terceiro trimestre de 2027 — indicou elevação de 3,3% para 3,8%, se distanciando ainda mais da meta de 3%. 

"Se por um lado a autoridade monetária entende que a política monetária está restritiva, e que o ciclo de afrouxamento seria apenas uma 'calibração' no grau de aperto, por outro a permanência do choque sobre os preços do petróleo poderia continuar produzindo maior divergência entre as projeções e a meta de inflação", acrescentou.


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Estratégia gradual e condicionada do Copom

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Para Raphael Vieira, co-head de Investimentos da Arton Advisors, o corte representa uma recalibração técnica dos juros, e não um ciclo acelerado de afrouxamento. "A ausência de forward guidance reforça que os próximos passos dependerão da evolução dos dados. Em resumo, o Copom começou a cortar juros, mas com uma estratégia claramente gradual e condicionada, indicando que a Selic deve permanecer em nível restritivo por mais tempo”, afirmou. 

Vieira também comentou a reação do mercado: "Como a decisão veio amplamente em linha com o esperado, a reação inicial dos mercados tende a ser mais moderada. Ainda assim, o início do ciclo de cortes é positivo na margem.”

Para o especialista, a curva de juros pode apresentar leve fechamento, principalmente nos trechos mais curtos, enquanto a bolsa tende a manter um viés construtivo, beneficiando setores mais sensíveis a juros.

Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, ressaltou que o Copom também deixou uma margem para ajustes futuros. "O comitê foi muito enfático ao deixar claro que os próximos passos serão bastante sensíveis ao monitoramento de variáveis-chave”, afirmou.

No entendimento de Perri, o Copom também deixa uma “porta entreaberta” para novos cortes de 25 pontos-base, mas não descarta que, em caso de uma deterioração adicional de expectativas de inflação ou outro tipo de “contaminação da economia brasileira”, pode pausar o ciclo. 

Ainda de acordo com o economista da Forum, a próxima reunião dependerá da evolução do conflito no Oriente Médio e dos preços de combustíveis no país. "Na próxima reunião, o Copom deixou clara a queda de 25 pontos-base, considerando a extensão do conflito sem grande deterioração adicional na taxa de câmbio ou choques de oferta nos preços de combustíveis no país”, disse.

O economista comentou, ainda, os efeitos imediatos no mercado: "Espero amanhã as bolsas em queda, mais por conta do tom duro do FOMC [Federal Open Market Committe], e também pelo viés conservador do Copom, com dólar para cima. Podemos esperar também pressão altista nas curvas de juros”, concluiu.