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Ações e títulos caem, com alta do petróleo abalando os investidores

Bloomberg

As ações e os títulos recuaram, já que a guerra no Irã não dava sinais de desescalada, aumentando os temores de uma longa interrupção nos mercados de energia e de uma disparada da inflação. O Brent chegou a ultrapassar os US$ 85.

Embora as ações tenham reduzido suas perdas, o índice S&P 500 ainda registrava queda de cerca de 1%. Com a disparada dos preços da energia lançando dúvidas sobre a capacidade dos bancos centrais de controlar a inflação, os investidores apostam em menores chances de dois cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve em 2026. Os rendimentos dos títulos de 10 anos estavam a caminho de registrar o maior avanço em dois dias desde junho. O dólar se valorizou. O ouro interrompeu uma sequência de quatro dias de alta.

“Os mercados estão reajustando os preços considerando o risco de uma guerra mais prolongada com o Irã”, disse Krishna Guha, da Evercore. “A duração dos preços elevados do petróleo e do gás é crucial.” No Brasil, o Ibovespa operava em queda de 2,47%, por volta das 16h, enquanto o dólar subia 1,81%.

O conflito no Oriente Médio repercutiu por toda a região, com Israel bombardeando Teerã com uma nova onda de ataques. A República Islâmica lançou mísseis contra o Catar, o Bahrein e Omã, com Doha afirmando que os alvos não se limitavam a interesses militares. O Catar e o Iraque interromperam a produção em importantes instalações de energia.


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O Estreito de Ormuz — uma rota marítima vital para petroleiros — permanece praticamente fechado. Qualquer sugestão de que o fluxo por esse ponto crítico possa ser restringido é suficiente para perturbar as mesas de negociação de commodities, de acordo com Fawad Razaqzada, da Forex.com.

Com a guerra no Irã interrompendo os embarques, os custos de combustível dispararam. A alta dos preços do diesel — usado em frete, geração de energia e aquecimento — aumentará o custo do transporte, um componente essencial da inflação. Os preços da gasolina também subiram muito, intensificando esses riscos.

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Quase 400 ações do S&P 500 caíram. O Dow Jones Industrial Average chegou a perder mais de 1.200 pontos, um contraste gritante com os movimentos moderados da sessão anterior.

Embora comprar em momentos de baixa tenha sido uma prática comum desde o início da pandemia, os fluxos de fundos negociados em bolsa (ETFs) mostraram que isso não ocorreu na segunda-feira . Os investidores retiraram mais de US$ 6 bilhões de ETFs que acompanham ações americanas.

Um conflito prolongado que elevasse o preço do petróleo para US$ 90-100 por um período sustentado representaria um obstáculo significativo para a economia, observou Jennifer McKeown, da Capital Economics. Os efeitos adversos seriam limitados se os bancos centrais ignorassem o choque e evitassem aumentos nas taxas de juros, mas os cortes provavelmente seriam adiados, acrescentou ela.

A menos que haja uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo, é improvável que o conflito, por si só, acabe com o ciclo de alta do mercado de ações, de acordo com Ed Clissold e Thanh Nguyen, da Ned Davis Research, que acompanha eventos de crise há décadas.

O mercado tende a cair durante o próprio evento, em média 7% e mediana de 3%, observaram. Uma vez superada a crise, o mercado se recupera em poucos meses, em média. As exceções ocorrem quando uma crise prejudica a economia.

“O mercado está reagindo hoje à ideia de que isso vai se prolongar mais do que o previsto, mas eu não acho que seja verdade”, disse Nancy Tengler, da Laffer Tengler Investments. “É preciso deixar as coisas se estabilizarem, e isso pode levar algumas semanas.”

De modo geral, as ações militares causam uma perturbação de curto prazo nos mercados, mas, desde que os danos econômicos sejam limitados, eles se recuperam totalmente assim que houver mais clareza sobre o alcance da intervenção, de acordo com Chris Zaccarelli, da Northlight Asset Management.

“É muito cedo para dizer como os eventos se desenrolarão neste mês, mas estamos atentos para que as oportunidades surjam caso os investidores reajam de forma exagerada e acabem descartando tudo sem pensar”, disse ele.