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Mercado de capitais bate recorde em 2025 e alcança R$ 838,8 bi em ofertas

Victor Aguiar

Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima
Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima

O mercado brasileiro de capitais encerrou 2025 com um volume recorde de ofertas, impulsionado sobretudo pela renda fixa e pelo avanço dos instrumentos de securitização. Segundo dados apresentados pela Anbima em coletiva, o volume total de emissões atingiu R$ 838,8 bilhões no ano, distribuídos em 3.034 operações, o maior patamar da série histórica iniciada em 2012.

“Nós trazemos notícias melhores do que imaginávamos quando iniciamos o ano de 2025”, afirmou Cesar Mindof, diretor da Anbima, ao abrir a apresentação. De acordo com ele, a renda fixa “continua puxando essa fila” e foi determinante para o resultado recorde, com apoio também dos instrumentos híbridos.

Entre os destaques do ano estiveram as debêntures, as notas comerciais, os certificados de recebíveis e os fundos imobiliários (FIIs), que alcançaram níveis inéditos tanto em volume quanto em número de emissões. Em 2025, a cada dez ofertas públicas de renda fixa, sete foram de títulos de securitização, movimento que, segundo Mindof, reforça o papel desses instrumentos como porta de entrada para empresas no mercado de capitais. “Securitização acaba sendo uma porta de entrada, como a gente fala para as empresas na negociação, ao mercado de capitais”, disse.

Os FIIs tiveram crescimento expressivo, com avanço de 77% no volume ofertado em relação a 2024. Para Mindof, parte desse desempenho está associada à expectativa de uma redução nos juros.

Outro ponto de destaque foi o mercado secundário, cuja negociação de debêntures alcançou quase o dobro do volume emitido no mercado primário ao longo do ano. Segundo o diretor da Anbima, a liquidez elevada tem efeito direto sobre a saúde do mercado de novas emissões. “Na medida em que você tem um secundário bastante ativo e uma liquidez imensa, você acaba beneficiando das novas emissões”, afirmou.

Na avaliação da entidade, a ampliação da base de investidores também tem sido fundamental para sustentar esse dinamismo. Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, destacou que, para além do volume, o crescimento do número de operações evidencia um processo de democratização do mercado. 

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“Aqui não estamos olhando o volume, e sim o número de operações. Com ele, dá para ver o quanto esse mercado vem se democratizando e permitindo que empresas menores venham a acessar o mercado de capitais”, disse. Ainda segundo Maranhão, o mercado “deixou de ser das grandes companhias, de capital aberto” e passou a oferecer mais acesso a empresas de menor porte.

Do lado dos investidores, fundos de investimento e pessoas físicas responderam por cerca de metade das subscrições em 2025. No caso das pessoas físicas, o instrumento preferido foram os fundos imobiliários, que concentraram quase 28% do volume investido por esse público. Mindof destacou, no entanto, que há participação relevante também em CRAs, CRIs e debêntures incentivadas. 

Embora a presença das pessoas físicas tenha recuado em relação ao recorde observado em 2024, ela permanece em níveis elevados. “2024 foi um ano recorde onde você viu a participação das pessoas físicas bater o máximo. Em 2025 cai, mas ainda assim está em patamares bastante grandes”, analisou o diretor.

Outro movimento que chamou a atenção da Anbima foi o crescimento da participação das pessoas físicas em FIDCs, historicamente restritos a investidores profissionais. “Houve uma mudança de regulação que passou a permitir uma maior participação, e a tendência é que haja ainda mais crescimento nos próximos anos”, afirmou Mindof.

O setor financeiro também apresentou crescimento, puxado principalmente pelas debêntures de securitização. “Esse é um instrumento que vem crescendo ao longo dos últimos anos e a expectativa é que continue a crescer”, disse Mindof.

Apesar do fortalecimento do mercado doméstico, as empresas brasileiras seguiram acessando o mercado internacional. Em 2025, as emissões externas de renda fixa atingiram o maior volume desde 2014. “Mesmo com volumes recordes no mercado primário, ainda assim nós vimos as companhias acessando o mercado internacional, que permitiu boas condições em relação a prazo e preço”, afirmou Mindof. Segundo ele, o movimento demonstra que o emissor local está “bem servido”, com alternativas tanto no mercado doméstico quanto no externo.

Ao encerrar a coletiva, os representantes da Anbima afirmaram que os dados de 2025 oferecem uma base sólida para discutir os próximos passos do mercado em 2026, ainda que o cenário traga desafios ligados à regulação, ao custo de capital e à manutenção da liquidez observada nos últimos anos.