Ibovespa quebra recordes e bate 177 mil pontos; especialistas divergem sobre durabilidade da alta

O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, a B3, tem registrado dias de alta expressiva. Nesta quinta-feira (22), o Ibovespa chegou a ultrapassar 177 mil pontos, após quebrar o recorde de 173 mil pontos na véspera. O movimento é motivado especialmente pela vinda de investidores estrangeiros, mas a durabilidade desta alta é incerta, segundo especialistas.
Por volta das 14h07, o índice subia 2,93%, aos 176.855 pontos. Já na quarta-feira, o Ibov teve a maior alta desde 2023, quebrando recordes e fechando próximo dos 172 mil pontos, repetindo um movimento positivo desde terça-feira. O fluxo teve como carro-chefe o capital estrangeiro, impulsionado pelas ações de Trump e em meio a ameaças à Groenlândia.
“A alta é feita por fluxo estrangeiro para emergentes buscando diversificação global. O movimento tem ligação com a postura de Donald Trump que faz os investidores buscar outros locais além dos EUA”, esclarece João Abdouni, analista da Levante Inside Corp. “Mas é impossível determinar o prazo do movimento. O que se sabe é que é a maior alta da bolsa brasileira desde 2016, quando olhamos em uma Janela de 12 meses”.

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Em 2026, até o dia 20 de janeiro, o fluxo de capital estrangeiro no Brasil soma R$ 8,76 bilhões, segundo dados da B3. Com a queda de juros nos Estados Unidos ano passado e a perspectiva de mais redução à vista, “o dinheiro dos Estados Unidos é empurrado para todo mundo e um dos destinos desses recursos são países emergentes”, conta Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos.
“Basicamente não é mérito brasileiro. Continuamos com todos os nossos problemas, nossas mazelas, temos o ano eleitoral, o ano de certeza, mas a verdade é que o mundo, nesse momento, quer investir em países emergentes”, diz o executivo, acrescentando que, hoje, países emergentes, em média, estão subindo 2%, enquanto a bolsa brasileira sobe de 2% a 3%.
Ainda há desafios a serem enfrentados ao longo do ano, como a volatilidade que as eleições devem causar. No entanto, as expectativas divergem a respeito da importância que o investidor estrangeiro coloca no tema. “Falando sobre futuro, isso pode facilmente continuar acontecendo. Isso, inclusive, é a expectativa para este ano de 2026. Não me surpreenderia em bolsa bater até 200 mil pontos até o final do ano”, completa Costa.
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