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Fed mantém taxas de juros inalteradas, sinalizando estabilização na taxa de desemprego

Redação/Bloomberg

Jerome Powell, chairman do Federal Reserve
Jerome Powell, chairman do Federal Reserve

Autoridades do Federal Reserve mantiveram as taxas de juros inalteradas e apontaram para melhorias na economia dos EUA, sinalizando uma abordagem mais cautelosa em relação a possíveis ajustes futuros.

O Comitê Federal de Mercado Aberto votou nesta quarta-feira (28) por 10 a 2 para manter a taxa básica de juros dos fundos federais na faixa de 3,5% a 3,75%. Os governadores Christopher Waller e Stephen Miran votaram contra, defendendo uma redução de 0,25 ponto percentual.

Em um comunicado divulgado após a reunião, as autoridades afirmaram que "a criação de empregos permaneceu baixa e a taxa de desemprego apresentou alguns sinais de estabilização". Elas também deixaram de mencionar o aumento dos riscos de queda no emprego, que havia aparecido nos três comunicados anteriores.

A avaliação revisada para cima do mercado de trabalho provavelmente manterá as expectativas de um corte de juros em curto prazo sob controle, apesar da crescente pressão do governo Trump. Antes da reunião, os investidores consideravam improvável outro corte até pelo menos junho.

O índice S&P 500 e os títulos do Tesouro americano permaneceram em baixa, enquanto o dólar se fortaleceu.

Nicolas Gass, head de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, pontua que o mercado já estava projetando essa pausa na queda de juros, consequentemente, não foi uma decisão que surpreendeu.

"A decisão de manter os juros vem, na minha visão, muito por uma cautela por conta de uma análise de dados. Lembrando que houve um shutdown nos Estados Unidos há cerca de dois meses, e o Banco Central americano está muito mais focado nos dados e, eventualmente, de olho se não vai aparecer alguma surpresa por conta disso, que acabou afetando bastante a qualidade em si dos dados", opina Gass.

A decisão de quarta-feira era amplamente esperada, após os membros do comitê de política monetária terem reduzido as taxas de juros em três reuniões consecutivas nos últimos meses de 2025. Com base nas projeções de taxas divulgadas em dezembro, a maioria das autoridades prevê um novo corte ainda este ano. No entanto, considerando as preocupações com a inflação ainda elevada e os sinais de estabilidade no mercado de trabalho, vários membros do comitê indicaram recentemente que não veem necessidade imediata de uma nova redução.

Em sua declaração, os formuladores de políticas reforçaram sua visão sobre a economia, descrevendo o ritmo de crescimento como "sólido". Desde outubro, eles vinham afirmando que a economia estava se expandindo a um "ritmo moderado". Eles também deixaram de mencionar o aumento da inflação.

O presidente do Fed, Jerome Powell, tem uma coletiva de imprensa marcada para as 14h30 em Washington. Os investidores estarão atentos às orientações sobre por quanto tempo o Fed poderá manter as taxas de juros estáveis ​​e quais condições econômicas poderiam levar à retomada dos cortes.

É provável que Powell também enfrente questionamentos sobre o contexto político extraordinário após a revelação de que o Departamento de Justiça abriu uma investigação criminal contra o presidente do Fed.

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No início deste mês, o Departamento de Justiça emitiu intimações ao Fed, o que levou Powell a emitir uma resposta incomumente contundente, acusando o governo de usar a investigação como forma de intimidação.

A coletiva de imprensa de Powell também ocorre após sua decisão de comparecer a uma audiência da Suprema Corte na semana passada sobre a tentativa do presidente Donald Trump de demitir a governadora do Fed, Lisa Cook. A medida ganhou ainda mais importância em meio à investigação do Departamento de Justiça. Durante a audiência, os juízes se mostraram cautelosos com a tentativa de Trump de remover Cook e suas potenciais implicações para a independência do banco central.

Dados reconfortantes

As autoridades chegaram a um consenso geral de que a política do Fed está bem posicionada por enquanto, dando-lhes tempo para avaliar as informações que estão por vir sobre a inflação e o mercado de trabalho.

Isso representa uma mudança em relação aos últimos meses, nos quais as divergências sobre as perspectivas econômicas levaram a um debate acirrado sobre a trajetória adequada das taxas de juros. Alguns defenderam firmemente cortes para apoiar um mercado de trabalho que consideravam frágil. Outros pediram cautela, citando a inflação como a preocupação mais urgente.

Novos dados econômicos trouxeram algum alívio para ambos os lados. Embora as contratações continuem anêmicas, as demissões também permaneceram baixas e, em dezembro, a taxa de desemprego apresentou leve queda, sugerindo que o mercado de trabalho pode estar se estabilizando.

Os dados sobre preços ao consumidor em dezembro, por sua vez, mostraram que a inflação subjacente foi mais fraca do que o previsto. Ainda assim, as distorções nas medições de preços decorrentes da paralisação do governo no ano passado não serão totalmente corrigidas até a primavera (do hemisfério norte), o que significa que as autoridades do Fed podem encarar os dados com pouca confiança.

Diversos formuladores de políticas argumentaram que os 175 pontos-base de cortes nas taxas de juros do Fed nos últimos 16 meses aproximaram a política monetária do chamado nível neutro, que não estimula nem restringe a economia, reduzindo ainda mais a urgência de novos cortes.

Uma exceção é Miran, que está em licença não remunerada do seu cargo de principal assessor econômico da Casa Branca. Ele estima que a taxa básica de juros do banco central permaneça bem acima de um patamar neutro e afirma que o Fed deveria reduzi-la em 150 pontos-base este ano.

Waller, que está entre os principais candidatos de Trump para substituir Powell quando seu mandato como presidente do Fed terminar em maio, tem levantado repetidamente preocupações sobre a fragilidade do mercado de trabalho, mas, mais recentemente, sinalizou que o Fed não precisa se apressar em reduzir as taxas de juros novamente.


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