ETFs vivem ano histórico em 2025 e ampliam apostas para 2026
O ano de 2025, em praticamente todos os critérios, foi dos mais promissores para o mercado de fundos de índices (ETFs) no Brasil. Embora com uma representatividade pequena perto da indústria de fundos local – e ainda mais distante da relevância dos ETFs no mercado americano – o segmento ganhou diversificação na oferta de fundos na B3, volume (PL) e atraiu investidores pessoa física. Na visão de executivos ouvidos pela Capital Aberto, se 2025 foi bom, 2026 pode ser ainda melhor.
Os ETFs negociados na B3 registraram um PL de R$ 81 bilhões em novembro de 2025 – dado mais atual da B3 – uma expansão de 50% sobre dezembro de 2024 (R$ 54 bi). Na mesma base de comparação, o número de investidores avançou de 713 mil para 891 mil. Parte do avanço dos ETFs na carteira de investimento dos brasileiros foi puxada pela maior presença ETFs de renda fixa. “O lançamento dos ETFs de renda fixa começou a atrair o olhar dos investidores para o veículo, o que abriu portas para o investidor conhecer os outros tipos de ETFs”, comenta Flávio Vegas, especialista de Produtos da Global X, casa que atua no Brasil por meio de 32 BDRs de ETFs listados na B3.
Em 2025, a Global X cresceu de U$ 13 milhões em BDRs no Brasil para U$ 29 milhões e lançou três novos produtos no mercado: ARGT39 (MSCI Argentina ETF), RSSL39 (Russell 2000 ETF) e DTCR39 (Data Center & Digital Infrastructure ETF). “Além de um educacional sobre os ETFs e educação financeira, falta incentivo aos players de mercado para recomendar esse produto (assessores de investimentos, gerentes de banco, consultores e etc.), por se tratar de um veículo de baixo custo”, comenta Vegas sobre o tamanho do mercado brasileiro de ETF, comparado a outros países. Na visão do executivo, a oferta mais diversificada tem papel importante na atratividade do investidor. “Tem um peso crucial, dado que se você tem as mesmas ofertas aqui no Brasil de tudo que tem globalmente, você faz com que o investidor não saia do mercado brasileiro para ter a exposição global, logo, você estaria crescendo o mercado de ETFs aqui no Brasil.” Para 2026, acrescenta Vegas, a Global X pretende trazer ao Brasil 4 ou 5 BDRs de ETFs.
O ganho de maturidade do investidor brasileiro, que começa a olhar além do retorno, é destacado por Renato Eid, superintendente de estratégias indexadas e investimento responsável da Itaú Asset. “O investidor começa a olhar a característica do produto, e a carteira como um todo. Liquidez, que sempre foi importante, e a transparência do ativo. Características que o ETF tem”, comenda Eid, acrescentando o custo baixo do veículo. “Agilidade operacional, transparência, vantagem fiscal, custo e liquidez. O ETF começa a chamar atenção e a ganha um espaço nas carteiras investimento.”

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O executivo da Itaú Asset, casa pioneira no lançamento de ETFs no país, hoje com 26 produtos na B3, lembra que o potencial para crescimento é enorme. “Hoje, o número de usuários é abaixo de um milhão de pessoas. Pequeno ainda. O ETF efetivamente é a essência da democratização do investimento, mas ainda esbarra no pouco conhecimento do investidor, que pela negociação ocorrer na bolsa, logo associa à renda variável”, explica. “É uma barreira. Na realidade, o ambiente de Bolsa permite negociar diversos tipos de estratégias, renda variável, investimento internacional, commodities, criptoativos, renda fixa.” Eid menciona que a proposta da CVM de regular em 2026 os ETFs ativos, ainda não permitido no país, vai ser importante e trazer mais maturidade para a indústria.
Em 2025, a Itaú Asset lançou o GOAT11, composto 80% pelo IMA-B e 20% pelo S&P 500, e o T10R11, que combina Treasury americana com Tesouro Selic. “Acho que isso também é importante, porque a gente está combinando renda fixa global americana com renda fixa local.” A asset também trouxe ao mercado o SILK11 (Itaú) que replica o índice China A50. “No ano passado, trabalhamos muito a questão de exposição internacional com elementos da renda fixa local, trouxemos ETFs inovadores”, explica o executivo. A casa tem hoje sete ETFs com mais de R$ 1 bilhão alocados e quatro com PL superior a R$ 2 bilhões. “Isto é importante para dar liquidez ao ativo, algo que o brasileiro demanda.”
Na Buena Vista Capital, o ano de 2025 foi de forte crescimento. A casa, que tem na prateleira ETFs internacionais, saltou de R$ 190 milhões alocados nos produtos para perto de R$ 850 milhões. Em número de ETFs, saltou de 4 para 12. São oito ETFs com dividendos, quatro ETFs sem dividendos. “Todos os nossos ETFs são internacionais e não é porque a gente só gosta de internacional, mas pela questão da liquidez”, comenta Renato Nobile, gestor e analista da Buena Vista Capital, ao explicar a opção da casa.

Para 2026, contudo, a Buena Vista deve lançar seu primeiro ETF local, conforme explica Nobile. “Vamos ter ativos brasileiros. Estamos há dois anos trabalhando no produto. Estamos olhando tanto para a renda fixa quanto para a renda variável. A liquidez no mercado esta melhorando.” Sobre o crescimento do mercado de ETFs no Brasil, acrescenta o executivo, 2025 foi um ano “muito acima da expectativa”. “O avanço foi bem importante, mas segue muito abaixo do potencial, representa pouco em relação a indústria de fundos no geral. Mesmo assim, o ano foi um marco para a indústria de ETFs.” Nobile acredita em outro ano acima da média, como AUM dos ETFs podendo bater em R$ 200 bilhões.
