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Ações dos EUA sobem com início da temporada de balanços, mas bolsas operam com cautela

Redação Capital Aberto

Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing
Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing

As ações americanas abriram a semana em alta, com investidores observando uma combinação de novos riscos comerciais e de política econômica diante de um início forte da temporada de resultados do quarto trimestre.

O índice S&P 500 avançou 0,3% na abertura, puxado por ações dos setores de materiais e utilities. As mineradoras Freeport-McMoRan Inc. e Newmont Corp. figuraram entre os destaques positivos, acompanhando a disparada dos preços dos metais preciosos. O Nasdaq 100, com forte peso de tecnologia, subiu 0,1%, enquanto o Dow Jones Industrial Average avançou 0,3%.a

Apesar do desempenho positivo em Nova York, o ambiente nos mercados globais seguiu marcado por cautela, refletida também no desempenho da bolsa brasileira. O Ibovespa recuou cerca de 0,5%, em um pregão de realização, segundo Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing. 

“Foi um dia bastante travado, especialmente após a abertura do mercado americano. Em alguns momentos parecia que o mercado ia realizar com mais intensidade, em outros dava sinais de recuperação, mas acabou ficando de lado”, afirmou.

De acordo com Sant’Anna, o comportamento mais defensivo está ligado à proximidade das decisões de política monetária no Brasil e nos EUA. “Pregões pré-reunião de juros costumam trazer mais cautela. Mesmo com o boletim Focus apontando para expectativas de inflação menor e alguma queda de juros no futuro, a sinalização do Banco Central é de manutenção da Selic em nível restritivo por um período prolongado”, analisou. Ainda segundo ele, a avaliação é de que os juros devem permanecer inalterados tanto nesta quanto na próxima reunião.

Nos Estados Unidos, o mercado chegou a operar em leve queda no pré-mercado, mas virou para o campo positivo ao longo do dia, em meio a um ambiente político relativamente mais calmo. “Houve uma reviravolta. Apesar das ameaças de tarifas de 100% contra o Canadá, o noticiário geopolítico ficou menos tenso hoje, o que ajudou as bolsas americanas a subirem”, avaliou Sant’Anna. Ele acrescentou que, nos últimos dias, declarações erráticas do presidente Donald Trump haviam levado investidores a reduzir exposição a ativos americanos e buscar mercados emergentes.

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“O foco de hoje estará em Washington, diante do aumento do risco de paralisação do governo e das ameaças tarifárias contra o Canadá”, escreveu Tom Essaye, fundador do Sevens Report. “Qualquer manchete que torne um shutdown mais provável ou indique que as tarifas de fato serão implementadas deve pressionar os mercados, enquanto uma desescalada ajudará a sustentar uma recuperação.”

O risco de uma paralisação aumenta à medida que democratas pressionam pela retirada de recursos do Departamento de Segurança Interna, enquanto um grupo de republicanos pede uma investigação após agentes federais terem baleado e matado um manifestante em Minneapolis no fim de semana. Em paralelo, Trump voltou a ameaçar impor tarifas de 100% sobre as exportações canadenses caso o país avance em um acordo comercial com a China. Apesar disso, investidores vêm reduzindo a probabilidade de que o presidente leve a ameaça adiante.

“A cada investida seguida de recuo, os mercados se tornam cada vez mais insensíveis à beligerância e grandiosidade de Trump”, afirmou Emily Bowersock Hill, CEO e sócia fundadora da Bowersock Capital Partners. “À medida que os mercados se dessensibilizam, as investidas se tornam mais agressivas.”

A temporada de balanços também começa a ganhar peso no radar dos investidores. “Um volume relevante de empresas vai divulgar resultados nos próximos dias, incluindo gigantes como Tesla, Meta, Microsoft e Apple. Cerca de um quinto das companhias do S&P 500 deve apresentar números nesta semana”, destacou Sant’Anna.

Estrategistas do Deutsche Bank afirmaram, em relatório, que o posicionamento em ações tem permanecido, de forma geral, lateralizado, enquanto as alocações discricionárias continuam migrando de empresas de crescimento de grande capitalização e do setor de tecnologia para ações cíclicas. Já estrategistas do JPMorgan disseram que os resultados divulgados até agora nesta temporada indicam que o crescimento vem se ampliando para além do setor de tecnologia em 2026.

O governo Trump informou que pretende investir na USA Rare Earth, empresa sediada em Oklahoma, o que impulsionou fortemente as ações da companhia de minerais magnéticos. 

Os investidores também analisaram os dados de encomendas de bens duráveis e de bens de capital, ambos acima das expectativas de Wall Street. O principal evento da semana será a decisão de política monetária do Federal Reserve, prevista para quarta-feira, quando o mercado espera que os juros sejam mantidos estáveis.

“O mercado está olhando mesmo para esse dia, tanto lá fora quanto aqui. O foco será em como o mercado vai digerir o guidance do Fed e do Banco Central brasileiro”, concluiu Sant’Anna.