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Ações de Wall Street anulam ganhos impulsionados pelo IPC com queda do JPMorgan

Bloomberg

New York, USA - May 26, 2018: JPMorgan Chase & Co office at the Park Ave in New York, NY.

As ações em Wall Street recuaram nesta terça-feira (13), depois que os dados de inflação não alteraram as apostas do mercado em uma pausa nos cortes de juros pelo Fed, o banco central americano. O setor bancário liderou as perdas, com destaque para o JPMorgan Chase, após a divulgação de seus resultados. Os títulos do Tesouro oscilaram, enquanto o dólar avançou.

Os sinais de desaceleração gradual das pressões inflacionárias chegaram a trazer algum alívio inicial aos investidores, mas o movimento perdeu força ao longo do pregão. O S&P 500 recuou a partir de um nível recorde. As ações do JPMorgan caíram 3,8%, após as receitas com banco de investimento ficarem abaixo do guidance, com queda tanto nas taxas de subscrição quanto na assessoria em fusões e aquisições.

Nem mesmo a alta menor do que a esperada do núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI) conseguiu sustentar a valorização dos Treasuries observada logo após a divulgação dos dados. Após três cortes de juros promovidos pelo Fed desde setembro, os mercados de juros seguem projetando a próxima redução apenas para meados de 2026.

Segundo Jose Torres, da Interactive Brokers, o entusiasmo inicial com um núcleo do CPI mais fraco foi passageiro, já que o relatório não antecipou as expectativas para o próximo corte de juros, atualmente precificado para junho.


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Com desemprego baixo, crescimento acima da tendência, estímulos fiscais e inflação ainda acima da meta, o Fed pode manter os juros inalterados neste mês e nas próximas reuniões, avaliou Seema Shah, da Principal Asset Management. Ainda assim, à medida que as preocupações com a inflação diminuem, o banco central pode voltar a considerar um ou dois novos cortes.

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Para Bret Kenwell, da eToro, a leitura de inflação deve ter impacto limitado sobre o mercado acionário, com os investidores voltando suas atenções para o início da temporada de balanços.

Após os números do JPMorgan, os resultados de outros grandes bancos — como Bank of America, Wells Fargo, Citigroup, Goldman Sachs e Morgan Stanley — serão divulgados nos próximos dias. O grupo deve registrar o segundo maior lucro anual de sua história, impulsionado por mudanças de política adotadas pelo presidente Donald Trump.

Os investidores também acompanham a possibilidade de uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre tarifas adotadas pela Casa Branca neste ano. Uma decisão desfavorável poderia provocar reação negativa nos mercados, apesar da existência de alternativas legais para a manutenção das medidas.

O S&P 500 recuou para cerca de 6.950 pontos. O rendimento dos Treasuries de dez anos caiu um ponto-base, para 4,16%. O dólar avançou 0,1%, enquanto o petróleo subiu após Trump endurecer o discurso em relação ao Irã.

O núcleo do CPI de dezembro subiu 0,2% em relação a novembro e avançou 2,6% na comparação anual, igualando o menor patamar em quatro anos. O dado reforça a percepção de desaceleração da inflação, após distorções que haviam afetado o relatório anterior.

Apesar disso, analistas avaliam que o resultado não deve levar o Fed a agir de forma imediata. Segundo Jason Pride, da Glenmede, a autoridade monetária deve manter os juros estáveis neste mês, à espera de novos dados e da dissipação dos efeitos da paralisação do governo.

O cenário-base segue contemplando um ou dois cortes de juros em 2026, dependendo da evolução do mercado de trabalho e da inflação. Para Ellen Zentner, da Morgan Stanley Wealth Management, a inflação não está reacelerando, mas permanece acima da meta, o que limita o espaço para cortes no curto prazo.

Com dados de emprego ainda relativamente sólidos, um novo corte no primeiro trimestre é visto como improvável, embora a inflação mais baixa permita ao Fed continuar atento aos riscos no mercado de trabalho. Analistas avaliam que o banco central deve adotar uma postura de cautela nos próximos meses, à espera de maior clareza sobre os efeitos das tarifas e da atividade econômica.