Vendas em gigantes de IA puxam bolsas para baixo nos EUA após máximas históricas

As ações nos Estados Unidos ampliaram as perdas, à medida que uma onda de vendas nos principais vencedores da corrida da inteligência artificial (IA) no ano arrastou os índices globais para longe das máximas históricas. Os juros dos Treasuries de prazos mais longos também subiram.
Uma projeção de vendas abaixo do esperado da fabricante de chips Broadcom Inc. pesou sobre concorrentes e intensificou a ansiedade dos investidores em relação às apostas em IA, inicialmente motivadas pela Oracle Corp. A queda das ações da gigante de tecnologia começou na quinta-feira, após a empresa indicar maiores gastos e um prazo mais longo para a materialização das receitas. O movimento se aprofundou na sexta, depois de relatos de atrasos em alguns projetos de data centers da Oracle. Papéis de empresas ligadas à infraestrutura de energia também recuaram.
O Nasdaq 100 caiu até 2,3%, enquanto a Broadcom desabou 11%. O S&P 500 recuou mais de 1%, após ter encerrado a sessão anterior em máxima histórica. O Dow Jones Industrial Average também devolveu parte dos ganhos recentes.
“O estouro da bolha de IA está acontecendo lentamente, não é um colapso”, disse Louis Navellier, diretor de investimentos da Navellier & Associates, acrescentando que o movimento de realização de lucros após novas máximas dos índices não surpreende. “O aumento das preocupações sobre acordos da OpenAI pode dificultar novos avanços.”
Os investidores ainda tiveram de lidar com sinais mistos de autoridades do Fed, após o terceiro corte consecutivo de juros da instituição nesta semana.
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Os rendimentos dos Treasuries de 30 anos avançaram 6 pontos-base, para o maior nível em três meses, depois que Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, afirmou que preferiria juros um pouco mais restritivos para manter pressão sobre a inflação, que segue elevada.

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Jeff Schmid, presidente do Fed de Kansas City, também chamou atenção para as pressões nos preços ao consumidor. Ele votou contra o corte de juros desta semana, argumentando que a inflação continua alta e que a economia mantém fôlego.
“Pelo calendário, este pode ser um dia em que Wall Street dá uma pausa no ritmo acelerado das últimas sessões”, disse Joe Mazzola, estrategista de operações e derivativos da Charles Schwab. “Poucos balanços e indicadores relevantes, o fim de semana chegando e investidores já de olho no relatório de emprego da próxima terça-feira.”
A diversificação por geografias e temas volta a ganhar espaço. Depois de gigantes de tecnologia puxarem os ganhos do mercado ao longo do ano, a preocupação com valuations esticados e investimentos bilionários tem levado investidores a buscar oportunidades em outras frentes.
“Diante do cenário atual, diversificar é o preço a pagar para permanecer totalmente alocado em ações”, escreveu Mark Wilson, do Goldman Sachs. Ele destacou histórias de investimento atraentes na Coreia do Sul, Japão, China e em mercados emergentes mais amplos.
Enquanto isso, estrategistas do Goldman Sachs projetam novos recordes para as bolsas no próximo ano, apoiados pelo crescimento econômico resiliente e pela adoção mais ampla de IA, que deve sustentar os lucros corporativos.
A equipe liderada por Ben Snider reafirmou a projeção de que o S&P 500 alcance cerca de 7.600 pontos em 2026, o que sugeriria alta da ordem de 10% ante os níveis atuais. Outras casas compartilham o otimismo: Morgan Stanley, Deutsche Bank e RBC Capital Markets também projetam ganhos superiores a 10% para as ações americanas.
O sentimento é amplamente positivo também na Europa, sem que estrategistas esperem uma queda relevante. Alguns, como UBS e Deutsche Bank, estimam avanços próximos a 13% em relação ao fechamento de quarta-feira.
Há quem esteja mirando ganhos já no curtíssimo prazo, apostando em novas altas antes do fim de 2025, à medida que investidores migram para ações que ficaram à sombra das gigantes de tecnologia.
“Todo mundo está se convencendo de que haverá um rali de Natal, então parece que vai acontecer. E para ser sincera, não há catalisadores negativos no horizonte até o fim do ano”, disse Karen Georges, gestora da Ecofi Investissements, em Paris. “Os investidores estão dispostos a comprar os atrasados do ano; é um bom momento para diversificar o portfólio.”


