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Players comemoram emissão de dívida por PMEs e não veem produto voltado ao varejo

Amanda Meneses

Da esquerda para direita: moderador Rodrigo Fiszman, da BEE4; Caio Viggiano, da Itaú BBA; e Alexandre Muller, da JGP
Da esquerda para direita: moderador Rodrigo Fiszman, da BEE4; Caio Viggiano, da Itaú BBA; e Alexandre Muller, da JGP

Existem, no Brasil, cerca de 700 empresas de capital aberto, apenas, das quais cerca de 400 possuem ações listadas em bolsa, na B3. Por outro lado, há um montante de quase R$ 2 trilhões nos fundos de crédito privado, que por questões regulatórias, possuem mandato de alocação apenas em empresas de capital aberto. Este é um gap observado por entes do mercado e foi alvo de discussão durante painel no BEE4 Summit, promovido na capital paulista nesta terça-feira (2). O evento foi promovido pela companhia para fomentar o acesso ao mercado de capitais, celebrando o regime Fácil, publicado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) em julho deste ano.

Vendo o potencial deste mercado de companhias de menor porte, mesmo antes da existência do Fácil, a Itaú BBA já olhava, em 2013, para pequenas e médias empresas. Caio Viggiano, diretor de Renda Fixa da Itaú BBA, inclusive, destaca o papel do banco como distribuidor e estruturador de ofertas. “O Fácil veio em um momento primordial no mercado. O primeiro passo, essa emissão direto ao investidor profissional, seja o próprio banco como investidor, seja um fundo que já conhece a companhia, não tem necessidade de uma diligência extensa, de ter todo um custo, de uma interação, como a gente fala, de milhões de reais”, comenta Viggiano, dizendo que o Fácil vai facilitar e baratear esse primeiro acesso. “Emissões que eram super comuns, de R$ 400 milhões, R$ 500 milhões, R$ 1 bilhão, agora a gente está organizando emissões de R$ 60 milhões, R$ 80 milhões, e talvez, por que não, de R$ 10 milhões, R$ 20 milhões.”

Para a JGP, que atua fortemente no crédito, a criação do Fácil deve expandir as ofertas de ativos no mercado, e trazer oportunidade. Alexandre Muller, sócio e gestor de portfólio de crédito da JGP, lembra que o mercado de crédito é algo relativamente recente no Brasil, e só recebeu seu braço na gestora em 2014. “Inicialmente, era muito subsidiado, tinha muita empresa de celulose, grandes frigoríficos, com Selic a 14% na época”, disse o executivo, pontuando questões de enquadramento, que dificultaram o desenvolvimento do crédito no mercado de capitais, citando que esse movimento foi mudando com os IPOs e reformas macroeconômicas, além da abertura de plataformas de distribuição de investimentos. 

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O executivo da JGP destaca que apenas em 2025, este ano, que o estoque de crédito ultrapassou ações. Segundo Muller, a alocação média da indústria de fundos de investimento ainda é muito pouco alocada nos produtos do crédito. Para o executivo, é necessária uma regulação que equilibre o mercado e acesso ao crédito, mas ele ainda é reticente em relação à oferta de produtos advindos de empresas menores diretamente para o varejo. 

“Teoricamente, a alocação média deveria estar mais orientada para criar crédito dentro da bolsa” diz. “A gente, de fato, precisa de um aprimoramento da regulação de mercados que se permite o acesso de forma igual para empresa pequena, grande e média. Dá para fazer isso de oferta pública direta para varejo? Não me parece ser muito simples.”


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Além de equilibrar o mercado, a regulação em questão, para os especialistas, é muito importante para destravar a aplicação de capital que uma empresa busca obter por meio de fundos de investimento. A escala desses fundos, inclusive, cresceu muito, com gestoras de ativos assumindo posturas e negócios que os bancos geralmente não assumem. Para as emissoras, “é um ato de fé”. “Estou acreditando que esse primeiro acesso vai trazer um capital melhor lá na frente. Vou ter mais trabalho agora, na primeira emissão, e muitas vezes alguns empresários que não querem, mas que a partir da segunda, da terceira, da quarta, da quinta, os benefícios vão ser muito nítidos”, diz o executivo da Itaú BBA.

O mercado de capitais, destacam os executivos, ainda é majoritariamente acessado por grandes empresas, muitas das quais iniciaram bancarizadas. Para eles, a diferença entre o sucesso dessa empreitada no mercado de capitais é como é feito o primeiro acesso, que deve ser bem assessorado e feito com o investidor correto, alerta Viggiano. 

Durante o evento, os especialistas ainda citaram que títulos high yield, de mais risco, têm pouco incentivo, especialmente para os investidores pessoa física, visto o cenário de juro alto, fator que ressalta a importância de os emissores manterem uma rotina de transparência e divulgação de resultados e informações relevantes ao mercado. Para Muller, apesar dos desafios econômicos e políticos, há vantagens competitivas na economia brasileira. A visão de Viggiano é similar. Em sua análise, o Fácil representa uma “avenida de crescimento” e tem um potencial de fazer mais de 200, 500 operações. “Destravando essa primeira, as outras virão de forma mais fácil, mais simples. Claro, talvez tenha alguns meses de ajuste para ver como o mercado vai operar”, opina.