Renda fixa deve permanecer como carro-chefe mesmo com a queda da Selic, diz Caixa Asset

Os ativos de renda variável devem continuar em segundo plano em relação aos de renda fixa, mas podem ganhar um novo fôlego a partir de 2026. Essa foi a avaliação feita por Chrystian Faria, Estrategista de Investimentos da Caixa Asset, no 46º Congresso de Previdência Privada, durante um painel a respeito dos impactos e perspectivas do contexto macroeconômico sobre investimentos.
Na análise de Faria, as incertezas no cenário dos Estados Unidos, parcialmente responsáveis pelo fortalecimento da renda fixa no Brasil, já não motivam especulações extremas como a de recessão na economia americana, mas ainda são expressivas o suficiente para que o fluxo internacional estabelecido em 2025 não se altere substancialmente.
“A gente tem uma série de incertezas em relação à economia americana que fizeram com que os investidores tirassem recursos dos Estados Unidos. A gente vê a trajetória do dólar a partir desse ano, que devolveu basicamente toda a alta do segundo semestre do ano passado. Essas incertezas levaram os investidores a diversificarem os recursos para outras geografias”, explica Faria.

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Faria também pesa a provável queda da Selic a partir de 2026 — atualmente, a taxa de juros está em 15% —, mas entende que ativos pós-fixados devem seguir como o carro-chefe no mercado financeiro brasileiro, seguidos pelos ativos pré-fixados, dado o fechamento da curva de juros.
Apesar disso, por mais que o especialista entenda que os ativos de renda variável devam permanecer na retaguarda, ele destaca que a bolsa fica como uma “oportunidade importante” para o ano que vem, dados os preços baixos observados no Ibovespa, bem como a salubridade dos balanços das empresas e as eleições de 2026.
“Para o ano que vem é uma oportunidade importante, já que o fluxo estrangeiro deve continuar migrando para mercados emergentes. A precificação está favorável, com o índice preço/lucro mais baixo, e as empresas apresentam balanços mais saudáveis, com endividamento reduzido”, afirmou Faria. Ele também observou que a crescente robustez dos mercados de tecnologia e inteligência artificial devem atrair ainda mais investimentos no setor, o que também pode impulsionar a performance das bolsas.
Outro ponto destacado por Faria são as NTN-Bs, que podem se tornar interessantes em meio ao processo de arrefecimento da inflação — especialmente para os investidores que fazem marcação na curva.
