Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

Mercados argentinos disparam com alívio pós-vitória de Milei

Bloomberg

Javier Milei, presidente da Argentina
Javier Milei, presidente da Argentina

Os mercados da Argentina registraram uma forte alta após a vitória surpreendente do partido do presidente Javier Milei nas eleições legislativas no domingo (26), contrariando os temores de que um revés pudesse comprometer suas reformas de livre mercado e empurrar o país para outra crise econômica.

Os títulos do governo — que haviam despencado antes da votação — subiram em todos os prazos. As notas denominadas em dólar com vencimento em 2035 subiram mais de 13 centavos de dólar, para 70,18 centavos de dólar. O peso saltou 10% logo após a abertura do mercado, e o principal índice de referência de ações do país disparou 19%.

As recuperações marcam uma forte reversão para os mercados argentinos, que haviam sido atingidos por ondas de vendas antes das eleições, com investidores globais retirando dinheiro devido à especulação de que a capacidade de Milei de implementar novas reformas poderia ser prejudicada por uma oposição ressurgente. A pressão cresceu tanto que o governo Trump tomou a atitude incomum de intervir para comprar pesos, em uma tentativa de evitar que Milei fosse engolido por uma crise cambial antes da votação.

Mas o partido de Milei superou as expectativas e garantiu 41% dos votos, conquistando 64 das 127 cadeiras em disputa na Câmara e 13 das 24 vagas abertas no Senado, de acordo com dados publicados pelas autoridades eleitorais locais na noite de domingo, com 90% dos votos apurados. Os mercados previam que a coalizão governista conquistaria cerca de 30% das cadeiras.

“O resultado de ontem superou o nosso melhor cenário e, como resultado, os preços dos títulos estão se recuperando fortemente e atingindo máximas históricas”, disse o chefe de estratégia do Adcap Grupo Financero, Javier Casabal.

Os mercados financeiros da Argentina foram atingidos por ondas de vendas desde o mês passado, à medida que investidores globais se retiraram e os residentes locais rapidamente transferiram suas economias para dólares, preocupados que uma derrota de Milei pudesse levar o país a uma crise e derrubasse o peso.

A pressão obrigou o país a gastar suas reservas comprando pesos para manter a moeda dentro da faixa de negociação e levou o governo Trump a intervir com uma linha de swap cambial de US$ 20 bilhões para estabilizar os mercados antes da votação. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, comemorou os resultados das eleições e indicou que isso pode permitir aos EUA reduzir sua intervenção, ao evitar uma fuga dos mercados do país.

“Agora acho que o mercado vai se resolver sozinho”, Bessent disse a repórteres no Air Force One, enquanto acompanhava o presidente Donald Trump em sua viagem à Ásia. Trump disse que os EUA considerariam mais apoio à Argentina, se necessário.


Amplie suas oportunidades profissionais atuando em um cenário global no curso “Empresas Offshore”


Anthony Simond, gestor financeiro da Aberdeen Asset Management, com sede em Londres, disse que “é muito cedo para falar sobre uma reversão” do apoio dos EUA, dado que a Argentina tem alguns pagamentos significativos de dívida externa previstos para janeiro, e que poderia precisar de alguma ajuda do país.

Campanha Grafeno Institucional

PUBLICIDADE

“Talvez os EUA não precisem mais intervir diretamente no mercado de câmbio”, disse. Simond estima que o peso se recuperará nos próximos dias.

A ascensão de Milei ao poder em 2023 desencadeou uma forte recuperação nos mercados argentinos, alavancando desde ações a títulos soberanos, na expectativa de que seus planos de cortar gastos e regulamentações reanimariam uma economia que estava sendo prejudicada pela alta inflação, uma moeda instável e inadimplências periódicas da dívida pública.

Esses ganhos começaram a ruir no mês passado, após o fraco desempenho de Milei em uma eleição local, enquanto ele enfrentava eleitores irritados com a escala de seus cortes de gastos e um escândalo de corrupção que atingiu seu círculo íntimo.

Os rendimentos das notas soberanas com vencimento em 2035 dispararam para mais de 17%, enquanto a moeda caiu até 7% em uma única sessão, já que investidores questionavam a capacidade de Milei de obter apoio suficiente no Congresso para levar adiante sua extensa agenda econômica.

“Nos últimos meses, houve uma redução considerável na posição dos investidores em títulos argentinos, já que as preocupações com a popularidade de Milei levantaram questões sobre sua capacidade de continuar com as reformas tão necessárias”, escreveu em nota Mike McGill, codiretor de dívida de mercados emergentes e gestor sênior de portfólio da Aviva. “Esperamos que o dinheiro retorne ao mercado de títulos após esse resultado”.

O apoio sem precedentes do Tesouro dos EUA ajudou a conter as perdas, mas não a reverter o sentimento negativo, e analistas especularam que Milei poderia precisar realizar outra desvalorização do peso, que é amplamente visto como mantido em uma faixa artificialmente alta.

A intervenção direta dos EUA manteve o peso dentro dos limites de negociação acertados no último acordo da Argentina com o Fundo Monetário Internacional em abril, e impediu uma queda que teria agravado a inflação, que continua sendo uma questão fundamental na Argentina. Embora nenhum dos governos tenha confirmado o tamanho da intervenção, operadores estimam que os EUA gastaram mais de US$ 1 bilhão com as compras de pesos.

A moeda, no entanto, continuou a recuar antes das eleições, e fechou a 1.492 por dólar na sexta-feira, a poucos centavos de dólar de seu limite mais fraco. Na segunda-feira, porém, o peso saltou rapidamente para 1.341.

Milei e seu partido “emergiram como grandes vencedores com um mandato renovado”, disse Kathryn Exum, co-chefe de pesquisa soberana da Gramercy Funds Management. “Com esta vitória, governadores e políticos devem estar dispostos a trabalhar com Milei sob as condições certas, abrindo a possibilidade de reformas.”

Antes da votação, estrategistas de alguns dos principais bancos de Wall Street apostavam que o Milei obteria um terço dos votos. Isso seria suficiente para garantir os poderes de veto do presidente e impedir que o Congresso atrapalhasse seus planos. Para os investidores, o apoio dos EUA, combinado com uma mudança mais pragmática e moderada do Milei, poderiam proporcionar alívio suficiente à moeda debilitada do país.

A vitória decisiva coloca o partido de Milei “em boa forma” para negociar com outros grupos para aprovar as reformas, segundo Joaquin Bagues, diretor administrativo da corretora local Grit Capital Group.

“Que a festa comece”, disse.