Indústria de fundos cresce 10,7% e atinge R$ 10,4 trilhões em setembro

Os fundos de índice, ETFs, registraram alta de 35% no patrimônio nos últimos dois meses, mas ainda representam apenas 0,6% da indústria
A indústria de fundos cresceu 10,7% em setembro de 2025 sobre igual período do ano passado, atingindo um patrimônio líquido de R$ 10,4 trilhões. A captação líquida acumulada em setembro segue positiva, mas com menor força. Na comparação com setembro de 2024, ingressaram na indústria R$ 191 bilhões a menos de recursos. Em termos de números de conta, a indústria atingiu 42.777.820 contas, representando um incremento de 3,5%. Em termos de fundo, o aumento também foi de 3,5%, totalizando 32 mil fundos. Já o número de gestores totalizou 1.074, 4,3% de aumento quando comparado ao mesmo período de 2024.
A renda fixa continua sendo a categoria com melhor performance, com R$ 150 bilhões de captação, e multimercados e ações continuam com saídas líquidas, mas em um movimento pulverizado. “Identificamos algum tipo de concentração, principalmente nos tipos de duração livre, crédito livre e duração baixa soberano. Já os fundos mais arriscados, ações e multimercado, continuamos a ver saídas líquidas, com ações perdeu R$ 50,4 bilhões, e multimercado R $ 73,3 bilhões”, comenta Pedro Rudge, diretor da Anbima, em coletiva nesta terça-feira (7).
Esses movimentos de resgate foram pulverizados, diferentemente dos fundos de previdência, que tiveram saída de R$ 31,6 bilhões, mas com R$ 26 bilhões de saídas concentradas em um único fundo, que não foi citado pela Anbima.
Já nas demais classes, ETFs captaram R$ 7,3 bilhões, FIDCs ganharam R$ 63 bilhões, FIPs captaram R$ 43 bilhões e Fiagros, R$ 1 bilhão. “Os FIDCs, ao contrário do que vimos em períodos anteriores, quando a captação era concentrada em um ou muito poucos veículos, aqui, esse movimento foi pulverizado. Isso mostra uma consolidação importante dessa categoria como uma alternativa de investimento e financiamento para a economia real”, pontua Julya Wellisch, diretora da Anbima.
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Boa parte das entradas nos fundos foi resultante da aplicação de investidores pessoa física e outros, ao passo que os institucionais reduziram sua participação. A categoria “outros” aplicou 47,3 bilhões, enquanto Pessoas Físicas aportaram R$ 35,3 bilhões e institucionais tiveram aportes negativos em R$ 25,7 bilhões.
Os diretores da Anbima destacaram a importância do mercado de ETFs, que ainda representam uma parte pequena da indústria. Os fundos de índice, chamados ETFs, registraram alta de 35% no patrimônio nos últimos dois meses, representando ainda uma proporção de 0,6% da indústria. “Acreditamos que essa é uma classe que deve se desenvolver ainda mais. Temos visto diversos lançamentos de produtos, principalmente focados em renda fixa”, diz Rudge.

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Para o executivo, esse tipo de produto tem algumas vantagens quando comparado eventualmente aos fundos não listados e isso tem atraído a demanda tanto de gestores pela criação de novos produtos como de cotistas investindo nesse tipo de fundo. A Anbima, inclusive, acredita que os ETFs podem ganhar uma escala rápida, acompanhados de incentivos regulatórios. A associação tem pleiteado há algum tempo uma agenda dos ETFs ativos e a expectativa é que isso seja incluído na agenda regulatória da CVM de 2026, mas há “um trâmite burocrático a ser seguido”.
Na classe de multimercados, ainda que a ind´ústria tenha sofrido com resgates, se manteve com um patrimônio líquido estável em 12 meses, fruto da melhora de desempenho. As saídas de R$ 73 bilhões ainda representam um número bastante expressivo, mas em menor magnitude comparada aos dois últimos anos. Em termos de estratégia, a que mais tem perdido é a multimercado livre, seguida do multimercado macro. Já os multimercados com investimento no exterior tiveram captação líquida de R$ 15,3 bilhões.
“Temos visto um aumento e um arrefecimento desse movimento de saída, seja porque os fundos estão performando melhor, seja porque existe uma perspectiva de eventualmente, em algum momento, a gente poder ver uma queda de juros”, comenta Julya.
Os executivos ainda citaram um recorte de fundos sustentáveis, cujo número de contas aumentou. Para Julya, eles vêm mostrando um avanço importante. O PL da categoria cresceu cerca de 51%, aos R$ 50,3 bilhões, e o número de contas aumentou quase 61% em relação a 2024. “Claro que, em termos relativos ao total da indústria, o volume ainda é pequeno, mas acho que reforça um potencial muito grande de expansão de fundos dessa natureza no Brasil”, opina.
Os fundos IS, que têm o objetivo declarado de investir em ativos que contribuem diretamente para causas ambientais ou sociais, representam R4 38,9 bilhões do PL, enquanto os que integram aspectos ESG são responsáveis por R$ 11,4 bilhões. Do total dos fundos IS, 71% são de renda fixa, 18% em estruturado, 6% em ações e 6% em multimercado.
“Isso deixa muito claro que os fundos IS têm uma predominância muito forte na renda fixa e com espaço ainda um pouco limitado nas outras classes. Já os fundos que integram aspectos ESG, a renda fixa também mantém a liderança, mas com uma participação um pouco menor”, comenta Julya.
Os executivos da associação ainda citaram que a Anbima está trabalhando em uma nova classificação de FIDCs que seja mais simples para o investidor, inclusive para o investidor de varejo, considerando a flexibilização trazida pela CVM 175. A ideia é combinar dois elementos, primeiro, fazer com que o investidor possa identificar facilmente o tipo de devedor do FIDC, se é um devedor pessoa física, pessoa jurídica, união ou multistratégia, e incluir também algumas flags adicionais para que o investidor possa identificar mais facilmente o tipo de lastro, a estrutura de garantias, de agência de classificação de risco, a natureza dos direitos creditórios, se tem obrigação ou obrigação do sedente, índice de subordinação.
“Estamos trabalhando dentro da Anbima em todas as instâncias para apresentar para o mercado essa classificação de FIDCs que faça com que o investidor possa ter uma visão mais clara das características do fundo, para que poder comparar produtos e verificar se está alinhado com os objetivos de investimento”, diz Julya, acrescentando que é uma classificação informativa, mas que complementa a regulação da CVM. “Na nossa visão, fortalece também a confiança no produto. Ainda estamos trabalhando nessa classificação e a ideia é que possamos, no início de 2026, já soltar isso.”
