ETF já tem todas as condições para crescer no Brasil, dizem especialistas
Os exchange-traded funds (ETF) têm praticamente todas as condições necessárias para se tornarem a próxima grande tendência de investimento no Brasil — mas isso ainda não é suficiente para que a categoria deslanche. Essa foi a análise feita por Bruno Stein, diretor-executivo e head global de ETFs da Galapagos Capital, Rafael Daher, especialista sênior de produtos indexados da DWS, e Bruno Barino, country manager da BlackRock Brasil, durante painel do Encontro Anual Sobre Índices e ETFs no Brasil 2025, que acontece nesta quinta-feira (30).
Para Stein, uma das principais condições para o desenvolvimento do mercado de ETF no Brasil, que tem um mercado pequeno de ETF — cerca de US$ 30 bi, chegando a US$ 300 bi ao se somar ETFs crossborder, número que ainda representa pouco dos US$ 18 tri do mercado global —, é o estabelecimento de um modelo de fee base — o que já está acontecendo, pontua. A importância disso se dá pelo fato de que, tratando-se de ETF, é essencial atender a uma necessidade ou problema do investidor.
Amplie suas oportunidades profissionais atuando em um cenário global no curso “Empresas Offshore”
“Quando se fala de ETF, você precisa ter certeza de que tem uma boa ideia, mas mais importante do que isso, se você não está resolvendo o problema de alguém, sua ideia provavelmente não vai a lugar nenhum”, afirma Stein. “O foco deve ser em problemas reais. Não basta ter uma ótima ideia.”

PUBLICIDADE
A visão de Daher é similar. Para o especialista da DWS, “não se trata apenas de lançar o produto ou a estratégia, mas sim de entregar aquilo que os clientes realmente precisam”. Outro ponto levantado por ele diz respeito à taxa de juros do Brasil que, ao permanecer alta, acaba por desincentivar investidores a buscarem os ETFs como alternativa de diversificação, dada a maior atratividade da renda fixa.
“Em reuniões com clientes e parceiros, sempre menciono que nosso principal concorrente no Brasil é o CDI. Você não vai querer ir para nenhum outro lugar quando tem 15% de inflação mais 7%, certo? Por que eu deveria ir para ações, dólar ou crédito privado?”, questiona Daher. “O Brasil ainda se esquiva de novos produtos e novas estratégias.”
Ainda nesse ponto, Stein também menciona que ETFs de renda fixa só estão no mercado brasileiro há cerca de seis anos, o que também afasta potenciais investidores.
Apesar disso, os três entendem que também é necessário que o mercado se adapte à realidade brasileira, não apenas o contrário. “Muitos produtos no mercado atualmente são apenas ruído”, afirma Barino. “Nós precisamos nos adaptar ao cenário do Brasil, não o contrário. É necessário tomar atitudes considerando os fatores locais”, acrescenta.
Outra grande barreira, na opinião dos especialistas, é a educação. “Há um desafio massivo de educação a respeito dos ETFs. Se você fala com pessoas na indústria, você vê que há várias iniciativas de educação, certificação e coisas do tipo sendo trabalhadas”, analisa Stein. “Se você fala com advisors, há uma grande ansiedade da parte deles também para aprender sobre os produtos.”
Apesar de enfatizar a importância do fee based como uma condição para o desenvolvimento do mercado de ETF, Stein afirma: “Se eu pudesse escolher três coisas para causar uma mudança nesse mercado, as três seriam educação.”
