Dados da pesquisa Firmus são parecidos com boletim Focus, diz Galípolo
A busca por uma interlocução com o “setor real da economia” e o alinhamento com uma prática já adotada por Bancos Centrais de outros países foram importantes na decisão de lançamento da Pesquisa Firmus, a versão do Focus voltada a ouvir empresas. No lançamento do Firmus, nesta segunda-feira (29), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou a importância de a autoridade monetária ter uma interlocução com representantes da economia real.
“Além do subsídios da pesquisa, que já estão sendo usados na formulação da política monetária, outro benefício é poder ter esse tipo de relação com empresas de outros setores. Temos uma relação intensa de agenda com representantes do setor financeiro e agora vamos entender melhor as expectativas e como são formados vários dos preços que depois vão compor o IPCA”, comentou Galípolo. No lançamento do Firmus, após a fase piloto que durou dois anos, o presidente do BC destacou que os resultados, quando comparado ao Focus, são muito semelhantes. “Diferentemente do que estaria no imaginário das pessoas, os dados da Firmus não destoam muito daqueles extraídos do boletim Focus, que ouve empresas do setor financeiro. Os números são próximos, mas qualitativamente as informações são valiosas e já estão sendo incorporadas na formulação da política monetária."
Resultados do Firmus

PUBLICIDADE
A nova rodada da Firmus, pesquisa que é realizada trimestralmente, trouxe ajustes pontuais nas expectativas de mercado, tanto para a inflação quanto para a atividade econômica. Empresas esperam um crescimento de 1,9% do PIB em 2026. A mediana das estimativas para o PIB de 2025 indica um crescimento de 2,1%. As projeções para a inflação recuaram de 5,5%, no levantamento anterior do Firmus, para 5% este ano. Ficaram estáveis em 4,5% e 4,0%, respectivamente, para 2026 e 2027. Outro ponto de destaque foi a melhora nas projeções cambiais. A mediana das expectativas para o dólar caiu de R$ 5,80 para R$ 5,60.
No lançamento do Firmus, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, afirmou que a autoridade monetária quer aumentar a base da pesquisa, hoje com 338 empresas, e consolidar também a base de respondentes. Guillen ressaltou que as respostas da Firmus são anônimas e que o BC só divulga os números agregados, lembrando que esta era uma preocupação de muitos respondentes.
Focus – revisões para baixo
No Boletim Focus, as projeções de mercado para a inflação e câmbio neste ano também foram revisadas para baixo. A estimativa para o IPCA caiu de 4,83% para 4,81%, enquanto a previsão para o dólar passou de R$ 5,50 para R$ 5,48. Já projeção do Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 2,16%. Já a projeção para o IPCA 2026 recuou de 4,29% para 4,28%, enquanto para 2027, a estimativa ficou em 3,90%.
Leia também: Gestores de fortunas reforçam uso de ETFs na alocação, que ultrapassa 50% na renda variável
