Fed corta juros em 25 bps e sinaliza outras duas reduções este ano

Autoridades do Federal Reserve (Fed), o Banco Central dos Estados Unidos, reduziram sua taxa básica de juros em um quarto de ponto percentual (25 basis points) e previram mais duas reduções neste ano, após meses de intensa pressão da Casa Branca para cortar os custos dos empréstimos. Mais tarde, em coletiva, Powell ainda citou, sem mencionar a palavra "tarifas", os possíveis efeitos na inflação.
Em declaração pós-reunião, os membros do comitê apontaram sinais crescentes de fraqueza no mercado de trabalho para justificar seu primeiro corte de juros desde dezembro, mas também reconheceram que a inflação "subiu e permanece um tanto elevada". As autoridades disseram que a taxa de desemprego “aumentou ligeiramente, mas continua baixa”, acrescentando que “os riscos negativos para o emprego aumentaram”.
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O colegiado do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) votou por 11 a 1 nesta quarta-feira para reduzir a meta da taxa dos fundos federais para 4% e 4,25%, após manter as taxas estáveis por cinco reuniões consecutivas este ano. Apenas um dos membros, o recém-empossado Stephen Miran, votou contra a decisão. Ele era a favor de um corte maior, de meio ponto percentual. Os governadores Michelle Bowman e Christopher Waller, que discordaram em julho a favor de um corte, concordaram com a medida de um quarto de ponto percentual.
O corte era amplamente esperado em meio a sinais de que as preocupações do banco central estão mudando para o emprego e se afastando da inflação, após uma forte desaceleração nas contratações nos últimos meses. Os membros do comitê também atualizaram suas projeções econômicas nesta reunião e agora preveem dois cortes adicionais de 25% este ano. Ou seja, um a mais do que o projetado em junho. Eles preveem um corte de 25% em 2026 e um em 2027.

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Já durante a coletiva para jornalistas, Powell disse que os riscos desde abril (ou seja, Dia da Libertação) de uma inflação mais alta e persistente diminuíram, mas também falou que as tarifas ainda correm o risco de alimentar mais inflação, sem mencionar a palavra. Powell afirmou que “começamos a ver” preços mais altos de produtos repercutindo na inflação. Para ele, o impacto ainda não foi grande, mas “esperamos que eles continuem crescendo” até o ano que vem.
“Começamos a ver os preços dos produtos refletindo em uma inflação mais alta e, na verdade, o aumento nos preços dos produtos é responsável pela maior parte do aumento da inflação, ou talvez por todo o aumento da inflação ao longo deste ano”, pontuou Powell. O presidente do Fed deixou claro que levará tempo para avaliar os efeitos completos das tarifas.
Decisão do Fed: visão do mercado
Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil, pontua que a decisão do Fed veio em linha com o esperado e foi considerada moderada. "O comunicado justificou a retomada do corte de juros com base em sinais mais fracos do mercado de trabalho e apontou que o balanço de riscos se tornou mais negativo. Esse viés negativo justifica o entendimento de que há espaço para um corte na taxa de juros", diz.
A tomada de decisão do Fed, que reduziu os juros em 25 pontos-base com os juros passando para o intervalo de 4% e 4,25% ao ano, era completamente esperada. "Na minha visão, o FED está tomando essa decisão porque está olhando tanto para dados de inflação quanto para dados de desemprego. E fica claro que tomaram essa decisão, pelos modelos macro que utilizam, principalmente, com o objetivo de proteger o nível de pleno emprego da economia americana. Inclusive, o desemprego lá está subindo", comenta Thiago Calestine, economista e sócio da Dom Investimentos, ponderando que a inflação norte-americana não está caindo tanto e não está indo em direção à meta do Fed, gerando uma reticência na entidade em relação a uma política monetária mais expansionista, cortando juros de uma forma mais agressiva.


