Campanha Grafeno Institucional

PUBLICIDADE

Copom mantém Selic a 15% e reforça atenção com cenário externo

Amanda Meneses

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros em 15% ao ano na reunião que se encerrou nesta quarta-feira (17), sem surpresas ao mercado. A manutenção da Selic, elevada em junho, já era amplamente esperada. Em comunicado, o comitê continuou a citar o ambiente externo incerto e metas desancoradas, ressaltando que, para assegurar a convergência da inflação à meta, é exigida "uma política monetária em patamar significativamente contracionista por período bastante prolongado", dizendo, inclusive, que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado. O mercado aguarda divulgação da ata da reunião na próxima semana para ter mais pistas.

Em comunicado da decisão de manter o juro inalterado, o colegiado manteve o mesmo discurso de que o ambiente externo se mantém incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos e que, consequentemente, o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos têm sido afetados, com reflexos nas condições financeiras globais. 


Assegure a continuidade do legado familiar com ferramentas jurídicas e estratégias tributárias eficientes no curso Planejamento Sucessório


Sobre o cenário doméstico, os executivos do Copom reiteraram, em nota sobre a decisão, que o conjunto dos indicadores de atividade econômica segue apresentando, conforme esperado, certa moderação no crescimento, mas que o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo. “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação”, disse o comitê. 

As expectativas de inflação para 2025 e 2026, medidas pelo Boletim Focus, inclusive, permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,8% e 4,3%, respectivamente. O colegiado do Copom destacou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual.

Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

“O Comitê segue acompanhando os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”, ressaltaram os diretores, em comunicado. 

Para o mercado, que já esperava a manutenção das taxas, fica confirmada a leitura de um cenário de cautela. “Uma decisão que evidencia a cautela do BC enquanto aguarda dados ainda mais consistentes sobre a ancoragem da inflação à meta para poder iniciar o ciclo de corte de juros, que deve iniciar entre dezembro e janeiro”, opina Volnei Eyng, CEO da gestora Multiplike, complementando que a economia já dá sinais de desaceleração como evidenciado nos últimos dados sobre indústria, varejo e do próprio IBC-Br, prévia do PIB. “Mas a inflação recua ainda de forma bem lenta”.

Na visão de Gabriel Lago, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital, o tom do comunicado veio claramente mais "hawkish", até um pouco mais do que em julho. "Então, além de repetir que a Selic seguirá no patamar mais contracionista por um tempo prolongado, o Copom, desta vez, fez questão de falar que vai retomar o ciclo de alta se julgar necessário. Isso, de fato, me chamou a atenção. Veio com uma postura bem mais firme contra a inflação e reforça que não há espaço para cortes", aponta, ressaltando que já era esperado que não haveria redução, mas que o recado foi muito mais duro que o esperado.

Para Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, a visao é similar. "A ata do Copom foi hawk, sem avanço, entre as reuniões, da projeção de inflação no horizonte relevante (1º tri 2027), permanecendo a mesma em 3,4% ao ano. Isso deve tirar força das apostas mais antecipadas de corte em dezembro desse ano", opina, dizendo que, com isso, a curva de juros nominais deve abrir nos vértices mais curtos até 2 anos, enquanto os juros reais em prazo equivalente devem underperformar.