Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

Patrimônio de ETFs cresce 22%, ganha 32 fundos e amplia diversificação

Jiane Carvalho

O mercado brasileiro de fundos de índices (ETFs) vem acelerando o passo na busca por volume e diversificação. Só no primeiro semestre, foram criados 32 produtos por players tradicionais como Itaú, Bradesco e BlackRock, e de casas especializadas em ETFs, como Buena Vista e Investo. O levantamento, realizado pela Quantum Finance, inclui fundos operacionais (20) e pré-operacionais (12). A Capital Aberto ouviu alguns dos gestores que ampliaram a oferta de ETFs na B3 sobre a estratégia de lançamento dos produtos e a perspectiva de avanço dos fundos de índices no Brasil, um mercado ainda incipiente comparado ao americano.

No Brasil, segundo boletim mais recente da B3, o patrimônio dos ETFs é de R$ 64 bilhões (jun/24), volume 18% maior do que o registrado em dezembro de 2024, de R$ 54 bi. Algo ainda ínfimo perto da indústria de ETFs nos Estados Unidos, com um patrimônio que gira em torno de US$ 11,8 trilhões, conforme dados de julho de 2025 da ETFGI. Em que pese ainda com volume discreto no país, os ETFs começam a chamar a atenção pelo baixo custo e diversificação crescente dos produtos. ETFs de RV internacional já empatam, em patrimônio, com os de RV local (R$ 25 bi cada), seguidos por RF Local (R$ 12 bi) e RF Internacional, que começa a ganhar espaço.


Assegure a continuidade do legado familiar com ferramentas jurídicas e estratégias tributárias eficientes no curso "Planejamento Sucessório"


“O apetite por ETFs tem crescido muito, tanto de casas criando produtos quando de investidores. O mercado como um todo, não apenas de casas especializadas como a Investo, vem acelerando o lançamento de produtos”, comenta Cauê Mançanares, fundador e CEO da Investo, casa com 23 ETFs e R$ 3,5 bilhões alocados, já incluindo os cinco lançamentos do primeiro semestre. Na Investo, o número de investidores cotistas saiu de 100 mil, no começo do ano, para 142 mil atuais.

Na B3, são 644 mil investidores em ETFs, alta de 22% em 12 meses. Do volume movimentado, 57% vem dos investidores institucionais, 33,7% da pessoa física e 6,7% de não residentes. “O mercado vai acelerar. Quando começamos a casa (2021) muitos não sabiam o que era, hoje somos procurados por assessores, gestores, fundos de pensão”, comenta Mançanares.

Dos cinco produtos lançados pela Investo no primeiro semestre, dois já estão em funcionamento: GP ETF S&P 500 (GPUS11) e o MVIS US Business Development (BIZD11). “Temos uma inflação alta no mundo, juros altos. Fazia sentido trazermos um produto de crédito privado americano, o BIZD11, que paga dividendos ao investidor. O Brasil já tinha ETFs de S&P 500, mas precisávamos incluir em nosso portfólio e criamos o GPUS11”, comenta o executivo, explicando o racional para ampliar a oferta de ETFs.

“A gente procura identificar tendências para completar a grade. O NUCL11, de energia nuclear, é outro exemplo de nova tendência que buscamos para montar um ETF.” Nos planos da Investo está chegar a R$ 5 bi de patrimônio em dezembro, meta que, se atingida, será um forte avanço sobre o R$ 1,7 bi da virada do ano passado.

Itaú Asset e Buena Vista também ampliaram o portfólio de ETFs no primeiro semestre, com quatro lançamentos cada, ligados a índices de ações chinesas, títulos do tesouro americano e um pacote de empresas detidas por bilionários.

“O mercado de ETF demorou para pegar tração no país por vários motivos. O investidor sempre associou bolsa a ações, renda variável, e na medida em que tivemos alguns lançamentos, como fundos imobiliários e ETFs, ele começa a entender que há outros produtos na B3”, explica Alexandre Frade, sênior Portfolio Manager de Estratégias Beta na Itaú Asset. Mesmo no universo dos fundos de índices, acrescenta Frade, outros ativos ganham espaço no processo de diversificação. “Esse ano, a gente teve mais captação nos ETFs de renda fixa, perto de R$ 4,2 bilhões, do que nos de renda variável, com R$ 2 bi.”

Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

No crescimento do universo de ETFs, tem ajudado, na visão dos executivos, a mudança gradual no modelo de remuneração dos assessores de investimentos de rebate para fee based. “São produtos (ETFs) eficientes e baratos, que agora começam a ser oferecidos aos investidores. O interesse do cliente e do assessor em ter produtos de menor custo agora ficam alinhados”, comenta o executivo da Itaú Asset.

A diversificação na prateleira de ETFs disponíveis na grade do Itaú visa “endereçar problemas do cliente”, conforme explica Frade. “São problemas que evoluem com o tempo e vamos adaptando. Por exemplo, temos ETFs de juros reais, tem ETFs pré-fixados, tem ETFs de renda variável local, internacional, cripto, vamos avançando, mas sempre com esse olhar de que preciso adicionar valor” explica, acrescentando que a casa não “busca ter todos os temas que os concorrentes lançam”.

No Itaú, são hoje 24 ETFs, com perto de 30% do Market Share, o que representa R$ 19 bilhões de AUM. O primeiro produto da casa tem mais de 20 anos. Nesta aspiração de “resolver problemas para o investidor”, o Itaú lançou no primeiro semestre o GOAT11, ETF que combina IMA-B (RF local) com 80% da carteira, e S&P 500 (RV), 20%.  “É o primeiro ETF de combinação de classe de ativos no Brasil. Combinação com perspectiva de retorno interessante, mas que reduz o risco.” Outro ETF do Itaú citado pelo executivo é o Silk11, que dá acesso ao mercado de ações chinês.  

Na avaliação de Renato Nobile, gestor e analista da Buena Vista Capital, o crescimento dos ETFs no Brasil vem forte, “mas na proporção do tamanho deste mercado no país”. “Se olharmos o histórico, temos uma tendência muito grande a replicar o mercado americano em tudo, movimento que começa a ocorrer nos ETFs” explica Nobile, acrescentando também a mudança na expectativa do investidor.

“Ele está insatisfeito porque quer transparência, resultado e um custo mais barato. O assessor brasileiro começa a migrar para o fee based e a olhar para os ETFs. Vai ajudar muito.” O executivo da Buena Vista lembra que só o COE – produto bancário e de pouco retorno – tem mais que o dobro do patrimônio dos ETFs, por serem oferecidos por assessores.

Renato Nobile, gestor e analista da Buena Vista Capital
Renato Nobile, gestor e analista da Buena Vista Capital

Na Buena Vista, explica Nobile, a estratégia é sempre lançar ETFs que complementem a oferta tradicional, de índices como S&P ou Nasdaq, mas com algo mais, por exemplo pagando dividendos. “A proposta é nos diferenciar do óbvio, que é replicar um índice apenas. É nossa expertise.”

Um dos lançamentos da casa no primeiro semestre foi RICO11 - Buena Vista Bloomberg US Billionaires Investment Select  - um ETF que pega o banco de dados da Bloomberg, que monitora os principais bilionários do mundo, seleciona os 50 principais no ranking e as ações em eles que investem. “Neste cruzamento, sai um portfólio com 50 principais empresas deste grupo de bilionários para o investidor, via ETF, replicar”, explica Nobile. “Eles não são bilionários à toa.”

Outro produto recém lançado pela Buena Vista é o GBTC11, em parceria com a Hashdex, que segue a tendência de combinar dois diferentes ativos. “É o primeiro ETF em cogestão no Brasil, Buena Vista e Hashdex. O produto tem ouro e Bitcoin ao mesmo tempo, de forma combinada”, explica o gestor. Outra novidade do primeiro semestre, mantendo a estratégia de fugir do óbvio, foi o CASA11, ETF de REITs (fundos imobiliários americanos). “A gente replica aquela mesma estratégia, mas com os derivativos nossos para pagar um dividendo mais alto. Tem mais de 500 mil ativos imobiliários comprados dentro desse fundo, mega diversificado em gerenciamento de risco.” A Buena Vista tem hoje 9 ETF no portfólio e em breve deve lançar o décimo.

“A gente está realmente apostando na tese de crescimento do mercado brasileiro, muito proporcional ao que aconteceu no mercado americano. Queremos estar muito bem-posicionados para que isso aconteça”, comenta Renato Nobile, acrescentando que, em termos regulatórios, o próximo passo deve ser a autorização, pela CVM, de ETFs ativos no Brasil. “Está no radar do regulador, há conversas sobre isto, faz parte da evolução natural do mercado.” Cauê Mançanares, da Investo, vai na mesma linha: “O regulador já está olhando para isso. Esse assunto é uma das prioridades do grupo de discussão de ETFs na Anbima e na B3. A gente sabe que isso é uma prioridade para as gestoras”, comenta, acrescentando que deve entrar na pauta de prioridades da CVM em 2026.