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Institucionalização amplia potencial de “upside” das criptos na reta final de 2025

Amanda Meneses

Após meses positivos, as criptomoedas passaram a operar de forma mais discreta, inclusive o Bitcoin, que estagnou em patamares menores após ter atingido US$ 120 mil em julho. Enquanto a principal criptomoeda está mais descorrelacionada do mercado tradicional, a maioria dos outros protocolos segue refletindo o cenário e eventos externos que também mexem com as Bolsas. A maioria das criptos caía nos últimos dias, mas, para especialistas, há espaço para melhora e as expectativas são de alta no ano.

Axel Blikstad, CEO da B2V Crypto, aponta que o Bitcoin teve um movimento de alta forte, saindo da casa dos US$ 74 mil no primeiro semestre, e depois teve um sell-off (realização) natural após um 2024 muito forte, também com alguma influência do tarifaço de Donald Trump, que assustou os mercados, inclusive as bolsas americanas. “Ele teve aquele recuo rápido e recuperou muito rápido, atingindo novas máximas nas últimas semanas”, diz, pontuando que as outras principais criptos, como Ethereum, continuam muito atrás do all-time high de 2021, mas que se recuperaram muito em julho.


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A estabilidade do Bitcoin, enquanto outras criptos como Ethereum, Tether, Solana, XRP e Cardano apresentam recuos, tem sido influenciada por diversos fatores. “Um deles foi a saída de ETFs à vista dos Estados Unidos, que ocorreu entre 31 de julho e 5 de agosto, com saídas diárias nos ETFs de BTC superiores a US$ 100 milhões e um pico de cerca de US$ 800 milhões no dia 1º de agosto. Essas movimentações impactaram o preço do Bitcoin, gerando uma lateralização e uma tendência de correção de curto prazo”, esclarece Rony Szuster, head de Crypto Research no MB.

Em explicação sobre a oscilação, Theodoro Fleury, gestor e diretor de investimentos da QR Asset Management, lembra que dentro do universo cripto, o Bitcoin é uma reserva de valor sólida, com estoque limitado de moedas e alta descentralização, enquanto projetos mais nichados têm maior correlação com mercados de risco, e ficam mais suscetíveis a oscilações temporárias por conta de eventos externos. “Tether não oscila, pois tem o valor atrelado ao valor do dólar, mas as outras moedas têm sofrido oscilação maior por conta da influência de fatores externos”, esclarece.

Após ficar estacionado nos US$ 114 mil, o Bitcoin, por exemplo, foi levado a recuperação do preço, chegando aos US$ 116 mil. A notícia favorável que ajudou a reverter essa tendência foi a aprovação, por parte de uma ordem executiva do governo dos EUA, de fundos 401(k), conta de aposentadoria, que podem investir em criptomoedas, incluindo o Bitcoin. “Essa medida elevou o otimismo do mercado e impulsionou uma rápida”, conta Szuster.

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Para os executivos, com certeza há espaço para uma melhora das cotações. Nas últimas semanas, foi possível observar um movimento de queda na dominância do Bitcoin, ou seja, sua participação na capitalização total do mercado cripto tem caído. “Isso costuma acontecer em momentos chamados de altseason, ou seja, quando ativos alternativos passam a performar melhor que o Bitcoin. Caso esse cenário se mantenha, podemos ver preços maiores nesses ativos”, opina Fleury, da QR Asset.

A visão é unânime entre os especialistas consultados. Para eles, há espaço para uma valorização das cotações ao longo do ano. O movimento deve ser puxado, principalmente, pela institucionalização das criptomoedas, em especial do Bitcoin. Um dos fundos da B2V Crypto, inclusive, chegou a subir quase 30%, com o Bitcoin subindo 8% no mês, em julho.

“Acho que vão se recuperar um pouco mais nos próximos meses, porque tinha toda a parte regulatória nos EUA que estava sendo votada, em principal o Genius Act, aprovado semanas atrás. Agora, é a vez da primeira grande regulamentação norte-americana que dita as regras do arcabouço regulatório para as stablecoins, os ativos tokenizados, lastreados em dólar”, diz Blikstad, afirmando que isso faz com que a rede do Ethereum tenha mais uso, e que o crescimento do mercado de stablecoins, agora com a regulamentação resolvida, deve crescer muito.

Outra questão regulatória que está tramitando nos Estados Unidos, já aprovada pelo Congresso e a caminho do Senado, é o “Clarity Act” (ato de clareza), que dita todas as regras do mercado de criptoativos, como um todo, se bancos podem participar ou custodiar, por exemplo. Essa regulamentação deve ser concluída até setembro, outro fator que deve ajudar todo o ecossistema e promover uma valorização.

Essas inovações se somam à estratégia de reservas estaduais de bitcoin, à expectativa de criação de uma reserva cripto pelo governo federal dos EUA e à estratégia de treasury companies, que inicialmente focou em Bitcoin, mas vem se ampliando para outras criptos, como Ethereum e Litecoin, por meio de empresas. “Essa busca por ativos com menor capitalização de mercado por parte de empresas pode resultar em uma valorização significativa dessas altcoins”, opina Szuster, do MB.

A perspectiva da casa, inclusive, é otimista. Szuster acredita que há espaço para uma alta no preço tanto do Bitcoin quanto das altcoins, no entanto, ressalta que é importante manter cautela, pois atual fase representa o final do ciclo de alta, caracterizada por fortes valorizações, mas também pela possibilidade de início de um bear market.

“Acreditamos que terá bastante upside no preço nativo desse segundo semestre. Vemos muitos novos compradores no mercado. Essa semana teve o fundo de pensão de Michigan nos Estados Unidos. Mês passado, o estado do Texas aprovou e fez a primeira compra da reserva estratégica de bitcoin deles. Vemos cada vez mais diferentes clientes institucionais grandes entrando no ecossistema”, diz Blikstad, que mantém sua visão de Bitcoin a US$ 175 mil no final do ano se não houver uma reserva estratégica do governo federal dos EUA, e a US$ 225 mil caso ela ocorra. “Para Ethereum, não demos uma previsão, mas acredito que veremos um novo all-time high do Ethereum este ano. Estamos nos US$ 3 mil e acho que chegamos nos US$ 5 mil até o final de 2025.”