Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

Apetite por crédito privado cresce em family office

Érica Polo

Sete em cada dez family offices (FO), de 27 países, já mudaram (ou planejam novos movimentos para) suas alocações de portfólio entre este e o próximo ano. Mais da metade desse universo olha com “otimismo” para o crédito privado, incluindo paralelamente atenção ao setor de infraestrutura. Trata-se de um retrato recente, publicado em junho de 2025 pela BlackRock, e inclui a América Latina. Famílias brasileiras também têm remado mais nessa onda – com o termo ‘seletividade’ dos ativos como uma ordem do dia, evidentemente –, disseram gestores de fortunas consultados pela Capital Aberto.

“Hoje grande parte do risco que temos em carteira é olhando para operações de crédito no mundo todo. Logo, corroboramos os dados apresentados pelo estudo da BlackRock. Faz sentido ter mais alocações neste segmento de mercado no momento”, conta Juan Schiavo, economista e sócio do Cimo Multi Family Office. O pessoal do Cimo elevou fatia de participação em estratégias ligadas ao crédito privado de 5% a 15% do total de ativos sob gestão em anos recentes – valor absoluto que ele não informa.

Segundo um FO que respondeu à pesquisa da gestora americana, esse não é um movimento comum para as famílias. Mas o depoimento evidencia uma certa “animação” com a volatilidade, já que, quando há pânico, é o momento de “ganhar mais dinheiro”. É o momento, continua, de arregaçar as mangas e procurar onde estão as grandes oportunidades.


Assegure a continuidade do legado familiar com ferramentas jurídicas e estratégias tributárias eficientes no curso Planejamento Sucessório


Crédito privado e o setor de infraestrutura estão no radar para o aumento de alocação em quase um terço dos respondentes da pesquisa da BlackRock, que dizem ter planos para reforçar as alocações entre 2025 e 2026. O levantamento mostrou ainda que os investimentos alternativos representam 42% das carteiras das famílias participantes, incluindo private equity, setor imobiliário e venture capital.

Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

Como um agente deste universo, Schiavo, do Cimo, reafirma ser “inegável” notar o forte fluxo de capital destinado ao mercado de renda fixa crédito privado no Brasil, seguindo tendência de outros países. Mas como o universo de investimentos envolve de tudo um pouco em perfis, nem todos foram ainda conquistados. Na CX3 Investimentos, o sócio Julio Ortiz diz que a preocupação com garantias ainda é grande.

“Quando falamos da atuação de family offices, que no geral trabalham com investidores com um nível maior de profissionalização, o que observamos é maior penetração do crédito estruturado, operações que fogem um pouco do universo tradicional de crédito de debêntures líquidas de grandes empresas ou títulos de dívida bancária”, acrescenta Schiavo.

O Cimo tem optado, recentemente, por operações estruturadas em fundos mais longos e com perfil high yield. “A gente gosta das operações que não tiveram fluxo de captação grande ao longo desses últimos anos. Apesar da atratividade gerada pela taxa Selic, a gente não viu o fluxo ir para os fundos de crédito mais longos [90 a 360 dias de prazo]”, conta. “Por não terem captação tão forte, a gente não viu compressão de spreads”, continua.

Segundo Schiavo, os passivos nesses fundos têm melhor característica, alinhados com ativos de longo prazo. A estratégia surgiu da necessidade de diversificar a alocação à medida que os spreads em crédito com perfil high grade foram fechando. O high grade voltará a chamar a atenção quando abrirem os spreads, diz ele. Já o universo high yeld continua praticando os mesmos patamares. O que faz a escolha desse investidor é a lógica risco-retorno. “Se ele, investidor, percebe que está ganhando pouco, os títulos públicos podem ser melhor opção”, continua o sócio do FO.

Entre os produtos que agradam os investidores do Cimo estão os Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDC), com cessão de crédito seja para empresas ou o consumidor final. Característica importante desse tipo de fundo é o nível de subordinação adequado, com o originador na subordinada. O escritório tem parcerias com gestoras especializadas nos diferentes ativos – e atua junto a eles.

Ortiz, da CX3, assim como Schiavo, também enxerga no Brasil um movimento na linha do evidenciado pela pesquisa da BlackRock. Mas seus clientes ainda têm um olhar de cautela no que diz respeito ao mercado de crédito privado. “A questão da garantia é algo que ainda nos preocupa bastante”, conta.

Segundo o sócio da CX3, recorrer à Justiça no Brasil é mais complexo do que em outros mercados, a exemplo do americano. “Os FIDCs surgiram para, de certo modo, ajudar a organizar isso [mercado de crédito privado]”, continua. “Mas ainda não é perfeito. Somos cautelosos em relação à estrutura”.