Nova ameaça tarifária de Trump, em tensão com Brics, afeta Ibovespa

Às vésperas do prazo final de 9 de julho para negociar tarifas com parceiros comerciais, o presidente americano Donald Trump ameaçou impor tarifa adicional de 10% sobre qualquer país que se alinhe com "políticas antiamericanas do Brics". A nova ameaça contribui para a queda do Ibovespa nesta segunda (7), que recuava 1,33% (139.380 pontos) perto de 15h40.
O americano disse em sua rede social na noite deste domingo que "’qualquer país” que se alinhasse com as políticas antiamericanas do Brics – Brasil, China, Rússia, África do Sul e Índia – teria a cobrança de uma tarifa adicional de 10% no âmbito da nova política comercial americana divulgada em abril, sem exceções.
No fim de semana, os líderes do grupo de países, reunidos no Rio de Janeiro, concordaram em continuar as negociações relacionadas a um sistema de pagamentos transfronteiriço para comércio e investimentos, um projeto que está na mesa há pelo menos uma década, buscando alternativa de moeda ao uso do dólar para favorecer o Sul global. As declarações levaram à reação de Trump na noite de ontem. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que o Brics não nasceu para "afrontar" a ninguém, mas está "incomodando" países mais ricos por ser uma nova forma de organizar o mundo.

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Em meio aos humores, hoje os EUA reforçaram a comunicação sobre o sistema de tarifas, que deverá operar efetivamente a partir de agosto. “A gente já começa a ver hoje uma comunicação mais formal do governo Trump para algumas nações, por exemplo, foi anunciada a tarifação de 25% contra o Japão e Coreia do Sul. Isso aumenta a percepção de risco de que o Brasil poderia eventualmente ser [mais tarifado]”, avalia Felipe Paletta, estrategista da EQI Research.
Em abril, o Brasil foi tarifado com 10% no âmbito da nova política comercial dos EUA, o ‘valor piso’ entre todas. As tarifas que seriam cobradas a partir de 9 de julho passam a valer a partir de 1º de agosto.
O clima de “animosidade” entre os presidentes dos EUA e do Brasil afetou os mercados desde a manhã desta segunda-feira. “O mercado já esperava uma certa volatilidade nesta semana, depois que as bolsas brasileira e norte-americanas superaram recordes históricos”, disse o analista. Segundo ele, já havia correção de lucros, e a tensão trouxe mais ‘peso’ ao Ibovespa. No meio da tarde desta segunda, 90% das ações do índice recuam, segundo a EQI.


