M&A deve ganhar tração no segundo semestre, projeta BR Partners
Com um retrato mais previsível do cenário macroeconômico – espera-se o atual patamar da taxa Selic a 15% por algum tempo – há expectativa de agentes sobre melhora no campo das fusões e aquisições no segundo semestre. Sinais de desaceleração inflacionária e mais clareza sobre os juros básicos tendem a destravar negociações. A leitura sobre m&a é do BR Partners.
“Não acreditamos em um ambiente de enxurrada de transações”, pondera Jairo Loureiro, sócio fundador do BR Partners à Capital Aberto. “Não é um cenário supervirtuoso, mas o horizonte, certamente, é mais positivo se comparado ao primeiro semestre do ano”, continua. Mesmo com o alto custo de capital, há transações engatilhadas que podem gerar benefícios para os acionistas em nichos ‘mal atendidos’ e com possibilidade de sinergias.
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Entre eles, tecnologia, saúde, setores da infraestrutura e serviços financeiros. Os dois primeiros são citados como 'bastante promissores' pelo banco por sua fragmentação e, também, devido à resiliência à volatilidade econômica. Os segmentos já concentram um número expressivo de operações mapeadas pelo BR Partners.
Já em infraestrutura, os segmentos de energia e rodovias, que se destacaram mesmo no começo do ano, seguem à frente. Saneamento também entra na lista. A maior parte dos investidores, segundo o banco, devem ser estrangeiros. Isso já foi visto nos primeiros seis meses do ano, conta Loureiro, período em que negócios em M&A movimentaram R$ 170 bilhões no Brasil.
Dois terços dos investimentos realizados na primeira metade de 2025 foram feitos por investidores de outros países, sendo que a metade do volume total de M&A ocorreu em infraestrutura. “Acho que a tendência é continuar assim”, diz o executivo, referindo-se a esse setor e aos investidores de fora do país. Segundo ele, os maiores interessados na Europa são ‘estratégicos’ (as grandes companhias que atuam em segmentos específicos, a exemplo de transportadores marítimos e aeroportuários).
Nos EUA, os mais interessados são fundos de investimentos, como os de pensão, que estão de olho em “ativos regulados e com boa previsibilidade”. Loureiro não deu detalhes sobre operações em andamento. O interesse dos atores é aportar em grandes ativos, de olho no retorno de longo prazo. Via de regra, as companhias estrangeiras interessadas em M&A já têm algum tipo de base no país e querem escalonar a participação no mercado brasileiro, disse.

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O aquecimento de turbinas deve ocorrer de forma gradual. No primeiro trimestre, um levantamento da KPMG mostrou queda de 6% no número de operações de m&a na comparação com o mesmo período do ano passado devido à falta de visibilidade sobre políticas americanas e oscilação dos juros no Brasil. Isso criou um “ambiente de espera”, reitera Lilian Luccas Crestana, diretora do BR Partners.
O Brasil ainda tem um custo de capital alto, mas está num retrato melhor se considerado os de outros países que também vivem realidade de juros altos.
Apesar da política monetária que desacelera a economia em médio prazo, o mercado interno ainda é robusto, com crescimento econômico gradual – e uma classe média em expansão, com aumento da renda na base da pirâmide, segundo o banco. São os fundamentos que devem voltar a atrair investidores, especialmente em setores estratégicos que já vinham demonstrando resiliência.
Demanda por recursos
Em infraestrutura, especificamente, um estudo recém-publicado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), elaborado pela consultoria Inter.B, estima que projetos em energia, transportes (rodovias, hidrovias, portos, ferrovias e aeroportos), saneamento e telecomunicações demandam, segundo retrato de 2025, R$ 278 bilhões – do total, R$ 200 bilhões virão do setor privado. Supera em 13% o valor médio visto entre 2021 e 2024, informa o trabalho.
Os dados da Inter.B tem base nos orçamentos federal, de entes públicos e nos planos das companhias privadas e de economia mista. Via de regra, a consultoria considera as informações de capex (planos de investimentos) de empresas que venceram leilões – ou seja, não tem base apenas em anúncios feitos pelos governos federal ou estaduais, que podem não se realizar necessariamente quando divulgados.
Ainda segundo o estudo da consultoria comandada por Claudio Frischtak, em 2025, os investimentos em infraestrutura devem corresponder a 2,21% do produto interno bruto (PIB). Só energia demandará R$ 113 bilhões; transportes, R$ 90 bilhões, indica o estudo.
“Os investimentos do setor privado em rodovias tiveram impulso entre 2023 e 2024, uma vez dissipada a incerteza eleitoral e reafirmada a importância de avançar numa carteira robusta de concessões e modelos sustentáveis, inclusive em 2025”, diz trecho do estudo da Inter.B.


