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Ibovespa sofre com realizações diante de tarifaço

Amanda Meneses

Nesta quinta-feira (31), os mercados reagem às decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, após Fed e Copom manterem os juros inalterados, mas no radar dos investidores, localmente, também está a imposição das tarifas de 50% a diversos produtos brasileiros, assinada por Donald Trump na véspera, mas com exceção de 694 produtos. Por aqui, o Ibovespa recua, enquanto os principais índices dos EUA passaram a cair no dia. O dólar sobe.

Na véspera, o Ibovespa encerrou em alta, reagindo com otimismo ao novo decreto assinado por Trump, que ainda que tenha imposto tarifas a importações brasileiras, suavizou o impacto ao isentar uma longa lista de produtos, ponderou Matheus Spiess, analista da Empiricus, em seu relátorio “Mercado em 5 minutos” esta manhã. Já hoje, o otimismo é vencido pelo temor sobre os impactos sobre o que será taxado. 


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“Apesar da manutenção da Selic pelo Copom e dos juros estáveis do Fed, o principal vetor de pressão sobre os mercados hoje segue sendo o tarifaço. A medida amplia a percepção de risco para o Brasil, especialmente sobre o setor exportador, e afeta diretamente o fluxo de capitais, o câmbio e os prêmios de risco da curva de juros”, aponta Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, dizendo que as decisões monetárias vieram em linha com o esperado e já estavam amplamente precificadas, enquanto o impacto fiscal, comercial e geopolítico das novas tarifas ainda está sendo absorvido pelos mercados. 

Por volta das 15h18, o Ibovespa recuava 0,91% aos 132.772 pontos. Já nos EUA, o S&P operava a -0,37%, o Dow Jones recuava 0,62% e Nasdaq caía 0,17%. O dólar, por sua vez, subia 0,42%, negociado a R$ 5,61.

Além disso, foram divulgados dados de desempenho e dívida pública do Brasil nesta quinta-feira, que apontaram um dado de desemprego mais baixo da série histórica, aliado a um dado de dívida bruta/PIB subindo firme. O desemprego caiu a 5,8% no 2º trimestre, enquanto a dívida pública bruta do Brasil ficou em 76,6% do PIB em junho, alta de 0,5 ponto percentual em relação a maio.

“Tem as políticas do governo fazendo efeito. Com isso, os juros longos têm subido hoje e a bolsa trabalha no terreno de correção. A maior exceção é Embraer, que sobe cerca de 5% ou 6%, puxada pela isenção nas tarifas de Donald Trump de produtos ligados a componentes de aviação. Nesse sentido, temos um dia de realização com alta na curva de juros, puxados por uma economia ainda resiliente”, pontua João Abdouni, analista da Levante Inside Corp.