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De olho em cenário externo, Copom mantém Selic a 15%

Érica Polo

Sem surpresas, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a taxa básica de juros em 15% ao ano na reunião que se encerrou nesta quarta-feira (30). A manutenção da Selic, elevada em junho, era esperada por agentes do mercado. Apesar do atual momento marcado por “elevada incerteza”, o Banco Central informou que seguirá observando o cenário para analisar os impactos.

“O cenário atual, marcado por elevada incerteza, exige cautela na condução da política monetária. Em se confirmando o cenário esperado, o Comitê antecipa uma continuação na interrupção no ciclo de alta de juros para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado, ainda por serem observados, e então avaliar se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz parte do comunicado do Copom.


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A decisão era ‘amplamente esperada’, disse Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital. Para ele, o destaque é a preocupação com o ambiente externo. “O comitê afirma que tem acompanhado com grande atenção os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais para o Brasil, pelos EUA, e que nesse cenário ele reforça uma postura de cautela. É uma diferença importante em relação ao comunicado anterior”, opina.

Hoje, vale lembrar, os EUA reiteraram a cobrança de tarifa de 50% para o Brasil, mas excluindo itens que lideram a pauta de exportação brasileira para o mercado americano, a exemplo de suco de laranja e alguns modelos de aviões, além de minérios.

O Copom diz ainda que “seguirá vigilante” e “não hesitará” em retomar o ciclo e ajuste caso julgue apropriado. Além do cenário externo, o comitê informou que “segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros”.

Segundo o comunicado, o cenário segue marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho, disse o BC, que reforçou a necessidade de aplicação de política monetária em patamar “significativamente contracionista por período bastante prolongado”.

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Ainda sobre o cenário doméstico, o conjunto dos indicadores da economia tem apresentado certa moderação no crescimento, conforme esperado, mas o mercado de trabalho ainda mostra dinamismo. O comunicado do Copom cita que nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação.

As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, em 5,1% e 4,4%, nessa ordem. Os riscos para a inflação, de alta e de baixa, continuam mais elevados do que o usual.

“Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo, e conjunção de políticas econômicas externa e interna com impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”, diz, ainda, o comunicado.

Rafaela Vitoria, economista chefe do Inter, diz que o banco mantém expectativa de início da flexibilização da Selic em dezembro. “A inflação dá os primeiros sinais de queda e o esfriamento da atividade deve continuar com a desaceleração do crédito. O câmbio mais favorável e a recente queda de preços ao produtor ainda terão efeito na inflação ao consumidor nos próximos meses, e as expectativas de inflação devem continuar a tendência de revisões de baixa”, comenta.

Ainda para a economista, a condução da política fiscal será fundamental para a determinação do início dos cortes na Selic. Segundo Rafaela, caso o Brasil registre aumento de gastos em 2026, o Copom pode manter a Selic restritiva por mais tempo, postergando o afrouxamento até uma queda mais significativa da inflação corrente. “O fiscal expansionista e sem regras críveis cobra um elevado custo da política monetária”, conclui a economista.

Em linha com a expectativa de início de cortes em dezembro, Luis Cezario, economista chefe da Asset 1, acredita que o cenário prospectivo da inflação melhorará nos próximos meses. “Os efeitos restritivos da política monetária estão esfriando o mercado de crédito e as vendas de bens duráveis, e estes efeitos se intensificarão nos próximos meses”, acrescenta.