Cenário político gera volatilidade e Ibovespa recua 1,64%
Em sexta-feira (18) turbulenta por conta do noticiário político no Brasil, o Ibovespa registra forte queda ao longo do dia. Por volta de 16h50 recuava 1,64% (133.340 pontos). Agentes do universo financeiro se preocupam com o cenário, o qual une fatores que podem aumentar a tensão nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos – a operação da Polícia Federal, hoje, na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o embate tarifário entre os dois países. A tarifa de 50% deve valer a partir de agosto.
Mais frequentes, as pesquisas eleitorais relacionadas à corrida presidencial no Brasil no próximo ano têm estado sob atenção de gestores antes do tempo costumeiro, disseram nesta semana fontes de gestoras de crédito ouvidas pela Capital Aberto. O retrato é de maior risco de volatilidade para os ativos.
Eduardo Alhadeff, sócio e CIO da área de crédito da Ibiuna Investimentos disse, em entrevista recente, que não se lembrava do mercado antecipar tanto uma eleição presidencial ao menos desde 1999, quando iniciou sua trajetória. “Já vi várias eleições. Eu não me lembro do mercado antecipar tanto um pleito”, observou, referindo-se à atenção às pesquisas eleitorais.

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Gestores citam maior risco de episódios de volatilidade daqui para frente, até o pleito no segundo semestre de 2026. Para o gestor, o mercado vai reagir a um aumento “expressivo” da popularidade do presidente Luiz Inacio Lula da Silva, e vê espaço para “deteriorização” de ativos.
Por outro lado, há quem entenda que a permanência do atual governo está basicamente precificada. “Se este governo continuar, acho que tem muita coisa que já está meio que no preço”, disse, também em conversa recente, Sami Karlik, head de crédito da Tivio.
“Se houver mudança de governo, para um [governo] que apresente talvez expectativa de melhor controle de contas públicas, e a taxa [Selic] fechar, aí começa a ter um impacto positivo para os mercados”, projeta Karlik. Isso ocorreria principalmente em renda fixa mais longa, com “ganho importante” para debêntures incentivadas, e melhor andamento dos mercados de risco.
Fundos multimercados e ações vêm se recuperando se observado o acumulado de 2025, e não o retrato diário (a exemplo de hoje). Contudo, para gestores, ainda levará tempo para recuperar a confiança de investidores, sobretudo em multimercados, visto que houve perdas significativas em anos recentes.


